Na visão espírita da pessoa que morre por acidente, a qual foi incentivada por outra, deveria essa pessoa que incentivou uma viagem, por exemplo, se sentir culpada?
André Marouço — A doutrina dos espíritos nos assinala que o instante do nascimento e da morte, diante da magnitude destes eventos para nossa existência são instantes meticulosamente planejados, estruturados e cuidados pela espiritualidade superior.

Entretanto nós ainda não temos condições plenas de afirmar de forma racional, valendo-nos de ciências; de filosofia que tal se dá. Entretanto, nós podemos estudar a questão sobre os atributos da divindade que nós já tratamos aqui.

Deus é onisciente, ou seja tem ciência de tudo… Onipotente, ou seja tem o poder do todo; Onipresente, ou seja está presente no todo; é soberanamente justo e soberanamente bom.

Então, se Deus está presente e ciente de tudo; ele está presente ciente de todos os acontecimentos, especialmente aqueles dias fatais, pois são instantes muito importante em nossa existência.

O evento nascimento e morte está entre esses eventos, então nós queremos crer que é bem mais provável que esses instantes estejam o tempo inteiro sob a regência da divindade, que atividade é essa soberanamente boa e soberanamente justo.

E vamos também a grande significação que nos deu o Cristo acerca da nossa relação com a divindade:

Até a vinda de Jesus era quase que o senhor o da Justiça o Deus dos exércitos. Jesus vem nos ensina a chamá-lo de “Pai”, então se nós temos um pai que é soberanamente justo e bom; dê a desencarnação, dê o processo de encarnação da forma que se dê, há a justiça e a bondade por trás desse processo.

Então, os olhos da Carne deixaram de ver esta criatura que partiu para espiritualidade, mas essa existência prossegue; e prossegue tendo atendido todas as suas necessidades de acordo com a entrada agora no mundo dos espíritos.
Quando uma pessoa não quer ir a algum lugar, mas acaba indo para substituir outra e acontece um acidente: quanto ao ponto de vista espiritual o que nós podemos dizer?

Na visão espírita das pessoas que morrem por acidentes, todas as vezes que a pessoa toma decisão de última hora ir a algum lugar onde vai acontecer a fatalidade é por causa de uma premonição?

André Marouço — Nós podemos raciocinar sobre as possibilidades.

(Por Exemplo): Eu não quero ir em um evento, e aí vou…. e acontece um acidente.

Aí nós podemos ligar isso há uma intuição, uma premonição, que se tinha do instante do acidente. Muito bem, pode ser que isso, de fato, se deu.

A outra possibilidade, que inclusive acredito que boa parte dos casos é mais plausível, é que os eventos da vida cotidiana, nem todos, suscitam em cada um de nós interesse por esses eventos. Então, sou chamado para uma viagem, mas não estou afim, mas a responsabilidade fará com que eu compareça a estes eventos em que muitas vezes podemos até ser surpreendidos com o evento absolutamente agradável.

Então, não podemos dizer que esta “Premonição” tem uma relação direta com algo que vai acontecer, se não, nós viramos místicos. E em verdade, é melhor que sejamos cada vez mais racionais e menos místicos.
Se por ventura alguém incentivou uma pessoa a ir num local e aconteceu acidente, essa pessoa não precisa se sentir culpada?

André Marouço — De forma alguma! Até porque a vida sempre prossegue. Eu vou trazer o meu exemplo pessoal:

Meu pai partiu por um acidente automobilístico, onde ele não era o motorista ele era ele era carona. E instantes, dias antes do evento ele teve a oportunidade de conversar com seus filhos, com seus amigos, acertar a sua vida. E chegou a dizer para mim: o meu trabalho aqui cessou! Está realizado!

E eu fico pensando… Nossa Senhora! Ele tinha ciência de que, embora ele não era o motorista, aquele seria o evento do seu retorno para espiritualidade.

Então, esta ciência de que existe uma força soberana que o Cristo nos ensinou a chamar de pai, que esta força soberana é todo o amor, que esta força soberana age a partir de uma lei perfeita para que todos nós possamos saber o nosso espaço no mundo e buscar nossa evolução. Este é o grande consolo!
Como que fica os espíritos das pessoas que morrem por acidentes?

André Marouço — Depende. Eu não concordo com uma boa parte das criaturas que defendem que: a criatura que passou por um acidente fatal vai chegar na espiritualidade atrapalhado, perdido, revoltado, não!

Depende da criatura. Nosso querido Gandhi morreu com um tiro; eu duvido que mesmo ele tendo morrido com um tiro, ele chegou na espiritualidade combalido, perdido, desorientado.

Depende do Espírito. Se é um espírito que durante a sua trajetória física ocupou-se de semear paz e a concórdia ao seu redor; se é um espírito que ao longo de sua existência preocupou-se em estudar sobre as questões da espiritualidade; se é uma pessoa amada, respeitada; certamente ela receberá o melhor, ela terá melhores condições de receber todo o atendimento que se dá na espiritualidade.

Se Deus é Pai, eu não tenho dúvida alguma de que todos nós quando retornamos para a espiritualidade encontramos o amigo espiritual a nos aguardar; aqueles que nos precederam o retorno para espiritualidade ansiosos a nos aguardar, a cuidar que tenhamos a melhor recepção, o melhor atendimento médico (por que o atendimento médico se dá do lado de lá).

Então, desencarnamos de uma de uma doença ou de um acidente aqui é o mesmo atendimento médico que nós estávamos recebendo aqui, na carne. Nós receberemos inclusive melhor, na espiritualidade.

Fonte: Estudante Espírita

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em 30/06/18, na Rede Espirit Book.