A orientação anotada pelo evangelista nos remete a muitas reflexões.

A princípio, devemos levar em conta que o vocábulo “céus” representa o mundo espiritual, que é, segundo a questão oitenta e cinco de O Livro dos Espíritos, o principal, “pois que preexiste e sobrevive a tudo”.

Deduz-se, naturalmente, que em sendo espiritual não comporta coisas tangíveis do mundo material, que permanecem neste quando o espírito retorna à pátria primeira pela via da morte física.

O que o espírito leva então para o mundo espiritual? Seus valores. O que estiver fixado dentro de sua consciência, alimentado por suas idéias e desejos.

Leva também sua cultura, sua educação intelectual, moral e religiosa, seus sentimentos, e o resultado de suas conquistas e desditas sempre ligadas à lei de ação e reação.

Desta forma sustenta-se, na vida espiritual, os valores subjetivos adquiridos na vida física, que o manterão preso ao objeto de valor elegido, sejam coisas materiais ou pessoas, prendendo-se aos interesses do mundo material, embora desencarnado.

O Senhor Jesus também nos alertou que “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (1), o que nos leva a entender que os interesses materiais podem nos manter presos ao mundo físico, presencialmente, em detrimento do desenvolvimento possível e necessário no mundo dos espíritos.

Cabe então nos questionarmos: Quais são nossos valores? Ao que estamos “presos”? O que, ou quem, sem o qual não vivemos? Quais são nossas expectativas quanto ao mundo espiritual em termos de formação religiosa? Que realidade esperamos encontrar?

É evidente que temos que lidar com o mundo material, mesmo porque a vida de encarnado é composta de provas e expiações necessárias ao progresso do espírito, mas temos que buscar o justo equilíbrio para que excessos não ocorram, nem de um lado e nem de outro.

Uma vez mais será necessário recorrer ao Senhor Jesus: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (2), disse Ele, referindo-se ao desenvolvimento das revelações espirituais, consequentemente à nossa ignorância em relação a nossa natureza e as conseqüências do uso que fazemos da valoração daquilo que nos envolve, e também do esquecimento das  lições que Ele nos deixou “para que tivéssemos vida, e vida em abundância”, onde quer que nos encontremos.

A Doutrina Espírita, na condição de Consolador anunciado por Jesus, satisfaz todas as necessidades de esclarecimento de nossos espíritos, ao mesmo tempo em que nos remete aos ensinos morais do Mestre, para entendimento da Lei de Amor, que nos possibilita uma vida em harmonia com as leis naturais.

E é por isso que o Espírito da Verdade nos recomenda no capítulo sexto de O Evangelho Segundo o Espiritismo: “Espíritas! Amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo”.

Pensemos nisso.

Antonio Carlos Navarro

Referências:
1 – Mateus 6:21
2 – João 14:26

Postado por Patrizia Gardona, em 31/12/19, na Rede Espirit Book.