Um marinheiro estava navegando com seu barco a procura de uma ilha que diziam guardar tesouros magníficos.

Ele conduzia seu barco na direção leste, pois era a direção em que a ilha se encontrava. 

O marinheiro havia vendido todos os seus bens para poder juntar dinheiro e realizar esta viagem, que seria a grande viagem de sua vida.
De repente, uma terrível tempestade começou a se aproximar, com ventos fortíssimos. Os ventos sopraram com tanto furor que levaram o barco na direção oposta, a oeste. O barco foi navegando na direção contrária por por 1 hora, 2 horas, 6 horas até 24 horas fora da rota, até que finalmente o barco se perdeu completamente, ficando à deriva e sujeito à força da natureza.

O marinheiro ficou extremamente bravo e decepcionado com tudo. “Como é possível eu ter vendido todos os meus bens para chegar à ilha e tudo dar errado? Por que Deus envia essa tempestade que me faz ir justamente na direção contrária?” Muitíssimo irritado por tudo ter dado errado e ter se desviado do seu caminho, o marinheiro pegou uma garrafa e começou a beber, apenas aguardando a chegada da morte inevitável.

Exausto… adormeceu por 14 horas. Acordou e abriu os olhos. Observou que seu navio estava passando em frente a uma ilha muito bela. O marinheiro releu as descrições e constatou, muito surpreso, que era a mesma ilha maravilhosa que ele estava procurando. Mas como era possível ter chegado, se o barco foi arrastado na direção oposta? Pegou então sua bússola e constatou que ela estava quebrada, provavelmente sem funcionar a vários dias.

Muitas vezes a sabedoria da vida nos conduz por um caminho que julgamos errado em nossas vidas, como se estivéssemos sendo arrastados para um desvio do caminho que acreditávamos ser o “certo”. Parece que nossos caminhos estão fechados e que estamos seguindo pela rota oposta daquela que seria a “certa”. No entanto, o caminho que julgamos correto nem sempre é o verdadeiro e o que cremos serem “desvios” no caminho não são verdadeiros desvios, mas são exatamente a trajetória que precisa ser seguida.

Somente assim alcançaremos o verdadeiro objetivo do nosso espírito, ao invés dos caminhos limitados humanos.

(Hugo Lapa)

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em 02/07/18, na Rede Espirit Book.