Efetivamente, não te será possível deter as vítimas da precipitação.

Aqui, é alguém que clama intempestivamente por melhores dias, sem despender o mínimo esforço para alicerçá-los.

Ali, é o amigo que desiste da tolerância e se desequilibra no espinheiral da irritação.

                Além, é o pai que exige a regeneração imediata de um filho que ele próprio entregou à dissipação e à leviandade, por muito tempo.

                Mais adiante, é o doente que reclama a própria cura em poucos dias, acerca de moléstia determinada que o aflige, para a qual ele próprio organizou campo adequado, em vários anos de menosprezo a si mesmo.

                Com todos estes casos rentearás, incluindo talvez, familiares queridos que se mostram  incursos nesses quadros da pressa, a traduzir-se em perturbação.

                Lembrar-te-ás, porém, de que a ansiedade, só por si, não serve a ninguém.

                A aflição inútil, quase sempre, apenas consegue mentalizar alucinações suscetíveis de piorar quaisquer problemas, já de si mesmos graves e complicados.

                Em qualquer percalço dessa ordem, observa os padrões da Natureza.

                A árvore não dá frutos sem habilitar-se no tempo para isso.

                Por mais que um homem vocifere, reclamando a luz do sol num hemisfério onde o relógio aponte a meia noite, reconhecer-se-á obrigado a esperar pelo amanhecer.

                A lâmpada, para inflamar-se, deve ajustar-se à voltagem.

                E uma criança, por mais prodígios de inteligência dos quais forneça testemunho, só atuará com responsabilidade, quando o tempo lhe acrescente a madureza.

                Em quaisquer circunstâncias, conserva a serenidade da paciência para que te sobreponhas às dificuldades e impactos inevitáveis do sofrimento que comparece no caminho de todos.

                Age e constrói sempre, mas não te esqueças de que se não consegues estabelecer a harmonia e a segurança no íntimo dos outros, podes claramente guardar a calma e a compreensão por dentro de ti.

Do livro ALGO MAIS – Edição: IDEAL

Chico Xavier / Emmanuel