Como é possível que, em uma época em que o acesso à informação é praticamente ilimitado, não consigamos, ou melhor, nos recusamos a usar esses recursos para nos tornarmos melhores seres humanos e, por tabela, cidadãos?

Vou dar alguns exemplos: consumo de cigarros, bebidas alcoólicas, relações sexuais. Creio que ninguém, de qualquer idade e em sã consciência, pode alegar que não sabe que fumar faz mal, beber em excesso prejudica a saúde e a liberdade, e que transar sem camisinha pode acarretar uma série de problemas, que vão da gravidez indesejada a DSTs.

Mas, o que torna tudo mais impressionante é o desprezo com que crianças e adolescentes tratam esses temas. Você já foi a alguma festa de moleques e molecas de 12 aos 16 anos? Tem de tudo um pouco, sobretudo uso em excesso de bebidas e drogas. O sexo vem depois, sem camisinha. Jesus! São pessoas com 12 e 13 anos de idade!!! Não são “marmanjos|” de 17 ou 18 anos.

O que me incomoda é tentar descobrir o que leva essa faixa etária, conscientemente, a pôr em risco as suas vidas. Realmente não consigo compreender.

Posso até aceitar a ideia da tal rebeldia adolescente, da sensação de onipotência. Mas, será que ela é tão forte a ponto de superar os perigos a que são expostos? Não são várias as situações de moleques de 14, 15 anos serem levados para alguma unidade de saúde, em coma alcoólica, depois de simplesmente “virarem” uma garrafa de uísque, vodca ou algo assim.

Talvez o fato de estarmos sujeitos, a cada minuto, a overdoses de informação, especialmente via redes sociais, provoque algum tipo de reação de alheamento em relação a tudo.

Posso falar, com alguma certeza, que as festas que realizávamos na UNICAMP, na década de 1980, eram assustadoras, em todos os sentidos possíveis. Mas, imaginar que pessoas de 12 e 13 anos já passam por isso, é pavoroso. Se você tiver explicação razoável para isso, compartilhe! Acho que estamos cruzando linhas bastante perigosas. E você?

José Manuel Lourenço
É editor do “A Cidade”
Ribeirão Preto, 20/07/18

Nosso comentário: realmente não consigo imaginar porque nunca passei por essa experiência, meu caro José Manuel Lourenço. Mas, só de vislumbrar superficialmente o caos social, o vazio e a total irresponsabilidade e inconsequência dessa juventude, causa-nos um profundo calafrio e abalo psicológico. Afinal onde erramos? Sim, onde erramos?

                Afinal de contas existem grandes responsabilidade de pais e tutores. Essas crianças e esses jovens não vivem isolados. Eles convivem com os seus progenitores. Então serão eles os principais responsáveis e, se seguirmos mais adiante, é a sociedade como um todo.

                Há várias gerações que não existe a matéria religiosa nos estabelecimentos escolares para não se ferirem susceptibilidades, segundo os “catedráticos” do assunto. Depois, assistimos diariamente a todos os esquemas inconsequentes, porque sequer os pais de agora têm o verdadeiro suporte religioso para se enquadrarem numa sociedade evolutiva e responsável.

                Em contrapartida e, como inconsequência dos governantes, são-nos impingidos feriados religiosos católicos num país que segundo a constituição deveria ser um país laico. Afinal em que ficamos? O Brasil é um país laico ou disfarçado na religião católica? Começa por aqui.

                É aqui que reside o “calcanhar de Aquiles”, segundo a minha modesta opinião. Não existimos neste planeta ao sabor das circunstâncias. Tudo obedece à lei de ação e reação; causa e efeito. É isso que deveria ser ensinado nas escolas. Muitos alunos estudam, por exemplo, Filosofia ou Matemática, sem nenhuma objetividade, sem qualquer interesse porque não faz parte do seu futuro académico. Então, por que não estudar Filosofia existencialista com base no Espiritismo, mesmo que as pessoas sejam de outras correntes religiosas?

                De qualquer forma acredito que seria necessário um grupo de trabalho para estudar esta questão de facto, mas que ela é imprescindível, não tenhamos dúvidas.

                Uma pessoa sem qualquer foco religioso é quase como um animal, sem qualquer ofensa para os pobres animais, sem quaisquer fundamentos éticos e morais. O resto estamos carecas de saber. O vazio é completo e daqui para pior.

Então, meu caro José Manuel Lourenço, é aqui que reside o busílis da questão. Por isso que sejam arrolados os verdadeiros responsáveis e não somente os jovens de per si.

Alberto Maçorano