Na época em que o Brasil estava sob o regime militar, um repórter da capital mineira veio até Chico Xavier e expôs-lhe a difícil situação, a seu ver, que o país atravessava. Disse o jornalista de sua inconformação com a repressão, inclusive com relação à imprensa. 

Disse-lhe ainda, que fizera uma reportagem advertindo as autoridades militares e que, por isso, estava sendo “vítima” de processo. 

Queria ajuda pedindo ao Chico que o orientasse nesse momento tão difícil de sua vida.

O Chico, em tais momentos, tanto pela inflexão de voz quanto pelos olhos, exteriorizava um caricioso magnetismo, envolvendo a todos num clima de confiança. Guardei na memória a resposta de Chico para o ansioso jornalista:

— Você escreveu, não escreveu?

O repórter, assustado, naturalmente pelo que tinha feito, respondeu:

— É, escrevi.

E o Chico complementa:

— Olha, gente, duas coisas que somente devemos dar para os outros quando eles nos pedem, é água e conselho.

O médium, após atender o consulente, passou a ouvir outra pessoa, no relato de seus problemas particulares.

O jornalista, desapontado, afastou-se acabrunhado, sob o peso da responsabilidade com o que houvera, espontaneamente, escrito.

O apóstolo Paulo em sua epístola a Tito (3, 1 e 2) comenta: “Lembra-lhes para que se sujeitem aos que governam, às autoridades, sejam obedientes, sempre prontos para as boas obras. Não difamem ninguém, não sejam altercadores, mas cordatos, dando provas de cortesia para com todos os homens.”

Livro: Lembranças de Grandes Lições 
Autor: Cezar Carneiro

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em 29/05/16, na Rede Espirit Book