O artigo de Rogério Cerqueira Leite, na Folha, sobre o juiz Sérgio Moro, irritou seus admiradores. Moro respondeu de forma autoritária, criticando o jornal por publicar tal tipo de opinião.

                Basicamente, Cerqueira Leite escreveu que Moro é um fundamentalista impregnado de moralismo para fazer justiça. Ele não teria a compreensão do mundo, própria da filosofia, e combate o mal (a corrupção) para honrar a sua ética particular. Sem essa luta sua vida não teria sentido.

                Se a “análise” de Cerqueira Leite é correta ou não é outra história. Mas os entusiastas de Moro, como ele e sua equipe, não gostam de críticas. Aceitam elogios e homenagens.

                Em Abril escrevi que o juiz Sérgio Moro era a “grande esperança branca” para o impeachment de Dilma. Destacava principalmente o pouco conhecimento ou a inepta interpretação da história e da política que a turma da Lava Jato demonstra. Muita gente não gostou. Afinal, é atrevimento criticar o paladino da justiça.

                William Wondsworth dizia que a “criança é o pai do homem”. Pois, o garoto Sérgio Moro foi educado na infância e adolescência por rígidas freiras carmelitas espanholas, e seu pai, um professor que ele adorava, alinhando à ditadura e fundador do PSDB de Londrina, com egressos da Arena, o partido criado pelos generais.

                Essas coisas influenciam tanto a moral como o corte de cabelo, a roupa e o olhar. Olhem bem o doutor juiz e percebam se ele não traz da infância aquela pupila gelada de puritanismo convencional e a camisa de colarinho branco impecável. Isto se traduz, também na convicção de combater o bom combate. Biblicamente.

Júlio Chiavenato 
Ribeirão Preto, 16/10/16 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: – indispensável qualquer comentário, perante uma análise tão concreta, profunda e objetiva de um jornalista tão conhecedor. Parabéns senhor Chiavenato pelo seu excelente comentário, pois, sem eu ter esse seu profundo conhecimento, já havia tecido o meu comentário desabonatório em relação a um juiz que não é exemplo digno da elevada magistratura que representa, e, pensando que estaria sendo radical, outros comentários idênticos se seguiram de elevadas entidades representativas da própria magistratura. Como se costuma dizer: “nem oito, nem oitenta…” e que ele não acertou até agora… Porque até agora não vestiu a camisa da real jurisprudência e também do sofrido povo brasileiro.

Alberto Maçorano