As grandes idéias encontram sempre grande oposição à sua validade, principalmente se se deslocam erros enraizados, e também se contrariam interesse de classe.

Não há quem conteste a sublimidade da doutrina de Jesus; de que procede a civilização que faz o orgulho do nosso século. Entretanto, foi combatida com sarcasmo, com desprezo, com desespero tais 

que levaram ao mais afrontoso suplício do Cristo, que nunca foi acusado de nenhum crime.

Já os fariseus de todos os tempos tinham dado a cicuta a Sócrates, o primeiro precursor do Divino Revolucionário.

O Universo tem todos os dias a prova material de que, à medida do desenvolvimento da perfectibilidade humana, descem das alturas novas e mais alevantadas revelações.

O mundo, porém, não aprende, e, sempre cego, obedece, fatalmente, ao impulso que o leva a repelir tudo o que é novo, tudo o que vem substituir alguma peça do mecanismo construído para o saber.

Que o mundo não aceitasse novidades, científicas ou religiosas, sem o mais detido exame e criteriosa experiência, nada mais digno de aplauso.

Mas, para evitar enganos, evitar erros, tranque as portas de sua alma a tudo que não procede das idéias que possui, a tudo o que se apresenta com cores novas, sem o cunho das conquistas realizadas. Isto ninguém poderá louvar.

Nem recusar in limine, (no início) nem acolher, infantilmente, é a regra da verdadeira sabedoria humana, posta por Descartes, que elevou a dúvida às alturas, do mais fino instrumento da Verdade.

Duvidar, não para desprezar, mas para examinar, observar e experimentar, é obrigação do homem de Ciência e do homem de bom senso.

Posto isto, todos sabem como surgiu uma doutrina, que choca, de frente, certos princípios tidos por verdades, quer no mundo científico, quer no religioso.

O Espiritismo, ninguém bem-esclarecido o poderá contestar, pois é, como filosofia, um sistema completo e harmónico; é, como moral, o “fac símile”, (a cópia) da doutrina de Jesus.

Entretanto, homens ilustrados, em vez de estudá-lo profundamente, em vez de aplicar-lhe os princípios de Descartes e da nova escola positivista, que ele provoca, repelem-no sem o conhecerem, uns com zombaria, outros com aversão!

É diabolismo! Dizem.

– Mas já o estudastes, já o fizestes passar pela observação e pela experiência?

– “Deus nos livre! Não queremos tratar com o demónio!” Respondem.

Terá valor, no conceito dos homens de bom senso, a condenação lançada ao Espiritismo por indivíduos que assim confessam seu fanatismo e inanidade de seu juízo?

É charlatanismo! Dizem outros:

– Mas já o estudastes seriamente, já o sujeitastes aos mais rigorosos processos científicos?

– “Isto seria cobrirmo-nos de ridículo!”

Terá maior valor esta nova espécie de condenação, aceita na mesma penúria de fundamentos?

O Espiritismo não pede favor. Se alguma coisa pede, é simplesmente justiça; justiça para si, para o bem da Humanidade, com a Doutrina de Jesus, de que é tradução, em espírito, e complemento.

Os que analisam o exame feito por uma comissão de professores da Universidade da Pensilvânia, esquecem a pesquisa também feita por uma comissão de sábios, escolhidos pela Sociedade Dialética de Londres.

Se aquele exame, concluído do particular para o geral, do exame de certos casos para a negação formal da totalidade, favorece a repulsão, a pesquisa, limitando suas consequências aos princípios observados, e concluindo o que observou – que os fenómenos espíritas são uma realidade, – dá fundamento à crença no Espiritismo.

Diante das duas autoridades, uma negando, outra afirmando, qual a posição do homem sensato?

Duvidar de ambas, e ir por si mesmo verificar de que lado está a Razão e a Verdade.

E hoje isto é facílimo, pois não faltam livros para o estudo da Doutrina, e médiuns, para o estudo de suas provas.

Só não verificará quem não quiser!

Nós, espíritas, não pretendemos arrastar convicções.

O que queremos é que não nos excomunguem, nem nos atirem ao ridículo, sem fundamentos.

Não querem tê-los para poderem rir?

Pois nós lhos meteremos pelos olhos.

Assim, continuaremos a obra de se exporem ao público a teoria espírita e as provas experimentais de sua Verdade.

É a luva que atiramos aos que dizem, nesse sentido: “Coitados! São loucos! Estão possessos do demónio!”

(Do livro Espiritismo, Estudos Filosóficos – Volume I – Capítulo 1.)

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em 27/12/18, na Rede Espirit Book.