Chamo-me Micael; sou um desses Espíritos prepostos para a guarda das crianças. Que doce missão! E que felicidade dá ela à alma! A guarda das crianças, direis? Mas não têm seus anjos prepostos para essa guarda? E por que é necessário ainda um Espírito encarregado de se ocupar delas? 

Mas não pensais naqueles que não têm mais essa boa mãe? Não os há, ah! Muitíssimos destes? E a mãe, ela mesma, algumas vezes não tem necessidade de ajuda?

Quem a desperta no meio do seu primeiro sono? Quem fala pressentir o perigo, inventar o alívio, quando o mal é grave? Nós, sempre nós; nós, que desviamos a criança da margem na qual se precipita estouvadamente, que afastamos dela os animais nocivos, que desviamos o fogo que se poderia misturar aos seus louros cabelos. Nossa missão é doce!

Somos nós ainda que lhe inspiramos a compaixão pelo pobre, a doçura, a bondade; nenhum dos mais maus mesmo poderia nos evitar; há sempre um instante em que seu pequeno coração nos está aberto.

Mais de um, entre vós, se espantará dessa missão; mas não dizeis frequentemente: há um Deus para as crianças? Sobretudo para as crianças pobres? Não, não há um Deus, mas anjos, amigos. E como poderíeis explicar, de outro modo, os salvamentos miraculosos?

Há ainda muitas outras forças das quais não supondes mesmo a existência; há o Espírito das flores, o dos perfumes, os há aos milhares, cujas missões, mais ou menos elevadas, vos
pareceriam deliciosas, invejáveis segundo a vossa dura vida de provas; eu os convidarei a vir ao vosso meio.

Eu estou neste momento recompensado de uma vida toda devotada às crianças.

Casada jovem com um homem que as tinha muitas, não tive a felicidade de tê-las por mim mesmo; toda devotada a eles, Deus, o bom e soberano senhor, concedeu-me ser ainda o guardião das crianças. Doce e santa missão!

Eu o repito, e cuja onipotência mães aqui presentes não poderiam negar. Adeus, vou em apoio aos meus pequenos protegidos; a hora do sono é a minha hora, e é necessário que eu visite todas essas bonitas pálpebras fechadas.

O bom anjo que vela sobre elas, sabei-o, não é uma alegoria, mas bem uma verdade.

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em 31/01/15, na Rede Espirit Book.