Novas conversas publicadas pelo blog do jornalista Reinaldo Azevedo em parceria com o The Intercept mostram o procurador Deltan Dallagnol seguindo orientações do ex-juiz e atual ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública).

Ontem (19.jun.2019), Moro negou“conluio” e afirmou haver “inclusive divergência” com o procurador durante audiência no Senado. A presença do ministro na Casa Legislativa foi motivada por reportagem que mostra Moro, ainda como juiz da Lava Jato em Curitiba, direcionando o coordenador da Lava Jato.

Em 1 dos diálogos o então juiz criticou a procuradora da República Laura Tessler em 2017. Disse que ela “para inquirição em audiência (…) não vai muito bem”. O atual ministro recomendou: “Tente dar uns conselhos a ela, para o próprio bem dela. Um treinamento faria bem. Favor manter reservada essa mensagem”.

Procurador da Lava Jato, Dallagnol respondeu: “Ok, manterei sim, obrigado!”.

Uma nova troca de mensagens que veio a público nesta 5ª feira (20.jun.2019), porém, mostra o procurador repassando as observações de Moro ao colega Carlos Fernando. Dezesseis minutos depois de receber a mensagem do então juiz, Dallagnol pergunta se o colega também recebeu mensagem de então juiz sobre a audiência.

Com a negativa do colega, responde: “Não comenta com ninguém e me assegura que teu telegram não tá aberto aí no computador e que outras pessoas não estão vendo por aí, que falo”. Ao receber a confirmação de que o colega estava sozinho, encaminha a mensagem de Moro sobre o desempenho de Laura Tessler.

Depois de confirmar se Carlos Fernando apagou a mensagem, Dallagnol diz: “Vamos ver como está a escala e talvez sugerir que vão 2, e fazer uma reunião sobre estratégia de inquirição, sem mencionar ela”. O colega responde: “Por isso tinha sugerido que Júlio ou Robinho fossem também. No do Lula não podemos deixar acontecer”.

A procuradora então seguiu na operação, mas não participou de audiência com o ex-presidente Lula.

MINISTRO RESPONDE

Eis a nota emitida pelo ministério de Justiça e Segurança Pública sobre a reportagem:

“Sobre suposta mensagem atribuída ao Ministro da Justiça e Segurança Pública esclarece-se que não se reconhece a autenticidade, pois pode ter sido editada ou adulterada pelo grupo criminoso, que mesmo se autêntica nada tem de ilícita ou antiética. A suposta mensagem já havia sido divulgada semana passada, nada havendo de novo.”

Nosso comentário: se foram obtidas por meios criminosos ou não, pouco interessa, o que fica comprovado é a postura ditatorial desse senhor e a parcialidade da sua jurisprudência, nada ético para alguém que se julgava acima da lei e agora vem com “supostas mensagens”. Realmente para quem se julgava “todo poderoso” custa dar o braço a torcer…

Estes são os verdadeiros “heróis nacionais” como diz o senhor Bolsonaro…

Alberto Maçorano