– Há quem informe que a adesão aos princípios

Da fé religiosa traz um contingente de aflições

E desencantos. Diz-se que, após a convicção espírita abraçada,

As pessoas tornam-se taciturnas e meditativas.

Alega-se que a alegria cede lugar à sisudez

E as ambições são substituídas pela indiferença.

Estranham, essas pessoas, o que acontece,

E por isso afirmam o desejo de manter distância em

Relação à doutrina renovadora.

 

– O problema, no entanto, resulta da óptica

Pela qual os trêfegos e gozadores observam a ocorrência.

O retorno, após uma jornada malsucedida, é sempre feito

Com cuidado e ponderação.

 

– Os que abraçam a verdade já não podem

Compactuar com a mentira dourada. Raramente

O riso expressa felicidade, assim como a seriedade

Nem sempre reflete equilíbrio. Confunde-se

Responsabilidade com sofrimento e equilíbrio

Com indiferença ante as coisas de valor nenhum.

É natural que assim sejam considerados

Os comportamentos responsáveis.

 

– Os palradores exibem, na loquacidade, o

Que não possuem na intimidade pessoal, que é

O discernimento; os permanentemente festivos

Estão em fugas espetaculares do próprio eu; os

Frívolos e utilitaristas vivem embriagados pela

Ilusão, receando enfrentar-se.

 

– Quando se dá o encontro com a certeza da

Imortalidade, o primeiro passo é a renovação da

Paisagem mental com a consequente alteração

Do comportamento. Nenhuma estranheza deve

Causar o fato. Identificando o tempo perdido,

O homem lamenta-o, esforçando-se por recuperá-lo.

Conhecendo a extensão dos seus erros, arrepende-se

E luta pela reabilitação. Descobrindo novos valores,

Abandona as quinquilharias e busca conquistar

Outros recursos.

 

– A visão da realidade clarifica interiormente

O indivíduo que, de pronto, se renova. Compreensível,

Portanto, que venham as lutas após a aquisição das forças

Que o conhecimento proporciona. As pessoas ligeiras

E fúteis, ainda não têm resistência

Para o esforço da transformação moral.

 

– Toda a obra exige planificação.

O trabalho impõe esforço. Qualquer

Aquisição nobre pede sacrifício.

A aquisição da paz interior e a alegria

Da imortalidade não se expressam mediante

Exibição bizarra ou propaganda bombástica,

Mas através da identificação das tarefas

Logradas diante das infinitas possibilidades

De novas vitórias em relação ao que falta

Ser conquistado, impondo sem dúvida,

Uma profunda mudança de comportamento.

 

Joanna de Ângelis / Divaldo Franco