Não costumo responder a desaforos, sobretudo de pessoas incapacitadas de viver em sociedades pluralistas. É essa a orientação espiritual que nos é dada. Não obstante, gostaria que me apontasse os crimes que venho praticando:
É triste ver pessoas doutoradas compactuarem com a intolerância, com a imposição de ideias, com o nepotismo, com o preconceito, com a bajulação, com regimes ditatoriais, com a corrupção e, finalmente, com a ignorância.
– Crime é a existência de cúpulas governamentais e políticas ganhando dezenas de milhares de reais e a maioria do povo lutando para sobreviver com míseros mil reais e outros ainda menos, sem falar nos desempregados.
– Crime é a constatação de uma classe privilegiada com planos médicos de saúde assistidos nos melhores centros de saúde e a maioria do povo morrendo por vezes em filas de postos de saúde, sem assistência médica adequada e para culminar sem os remédios mais caros nas respectivas farmácias.
– Crime é a constatação de uma educação escolar paupérrima e, pior, a realidade de professores laborando em várias frentes de trabalho para uma razoável remuneração financeira, deixando de dar o melhor contributo aos seus alunos, e vermos, por exemplo, simples vereadores, por vezes, sem qualquer formação académica, ganharem cerca de no mínimo 20 mil reais com todas as mordomias.
– Crime é constatarmos um pai de família sem emprego e ter que pagar um aluguel de casa, e os ganhos absurdos dos políticos ainda com direito a casa.
– Crime é a constatação de juízes corruptos fazerem condenações infundadas, sem provas, e nada lhes acontecer.
– Crime e vermos uma sociedade combater a marginalidade (provocada pela própria sociedade) através da violência, quando sabemos desde os primórdios da civilização que: “violência gera violência”.
– Crime é vermos os condenados por essa sociedade serem encurralados numa “jaula” prisional como animais, sem os mínimos recursos de regeneração, que seria o ideal, saindo piores do que entraram nesses jaulas denominadas de presídios. (incompatíveis com a socidade contemporânea).
– Crime é assistirmos à ampla disseminação das “drogas” sem uma política social adequada, combatida por meios violentos e animalescos, não levando a parte alguma. Aliás, cada vez se fortalece, desenvolve e aumenta mais essa população desamparada e esquecida.
Crime, o maior de todos, é constatarmos os “nababos” vivendo em palácios suntuosos, nadando em dinheiro, e ao lado, a realidade de pessoas nas sargetas, mendigos e dependentes químicos perambulando e dormindo ao relento, pelas ruas e becos da vida, sem a menor sensibilidade, como se tudo fosse normal, como se eles se considerassem superiores a esses irmãos desamparados, sem o mínimo interesse em criar políticas públicas para completa extinção da condição dessa população e sem imaginarem que um dia, em outras vidas eles possam estar e viver em idênticas condições.

Se me quiser denunciar por ser contra a existência desses crimes, aceitarei a denúncia com todo o prazer.

 

Alberto Maçorano