Não costumo responder a desaforos, sobretudo de pessoas incapacitadas de viver em sociedades pluralistas. É essa a orientação espiritual que nos é dada. Não obstante, gostaria que me apontasse os crimes que venho praticando. Será que é crime tecer críticas aosgovernos? Onde fica a liberdade de expressão e pensamento?…
É triste ver pessoas doutoradas compactuarem com a intolerância, com a imposição de ideias, com o nepotismo, com o preconceito, com a bajulação, com regimes ditatoriais, com a corrupção e, finalmente, com a ignorância.
– Crime? É a existência de cúpulas governamentais e políticas ganhando dezenas de milhares de reais e a maioria do povo lutando para sobreviver com míseros mil reais e outros ainda menos, sem falar nos desempregados.
– Crime? É a constatação de uma classe privilegiada com planos médicos de saúde assistidos nos melhores centros de saúde e a maioria do povo morrendo por vezes em filas de postos de saúde, sem assistência médica adequada e para culminar sem os remédios mais caros nas respectivas farmácias.
– Crime? É a constatação de uma educação escolar paupérrima e, pior, a realidade de professores laborando em várias frentes de trabalho para uma razoável remuneração financeira, deixando de dar o melhor contributo aos seus alunos, e vermos, por exemplo, simples vereadores, por vezes, sem qualquer formação académica, ganharem cerca de no mínimo 20 mil reais com todas as mordomias…
– Crime? É constatarmos um pai de família sem emprego e ter que pagar um aluguel de casa, e os ganhos absurdos dos políticos ainda com direito a casa.
– Crime? É a constatação de juízes corruptos fazerem condenações infundadas, sem provas, e nada lhes acontecer, infligindo a lei, e ninguém lhes cobrar nada, julgando-se acima da própria lei…
– Crime? É vermos uma sociedade combater a marginalidade (provocada pela própria sociedade…) através da violência, quando sabemos desde os primórdios da civilização que: “violência gera violência”.
– Crime? É vermos os condenados por essa sociedade serem encurralados numa “jaula” prisional como animais, sem os mínimos recursos de regeneração, que seria o ideal, saindo piores do que entraram nessas jaulas denominadas de presídios. (incompatíveis com a sociedade contemporânea).
– Crime? É assistirmos à ampla disseminação das “drogas” sem uma política social adequada, combatida por meios violentos e truculentos, não levando a parte alguma. Aliás, cada vez se fortalece, desenvolve e aumenta mais essa população desamparada e esquecida.
Crime? É constatarmos os “nababos” vivendo em palácios suntuosos, nadando em dinheiro, e ao lado, a realidade de pessoas nas sargetas, mendigos e dependentes químicos perambulando e dormindo ao relento, pelas ruas e becos da vida, sem a menor sensibilidade, como se tudo fosse normal, como se eles se considerassem superiores a esses irmãos desamparados, sem o mínimo interesse em criar políticas públicas para completa extinção da condição dessa população e sem imaginarem que um dia, em outras vidas eles possam estar e viver em idênticas condições.

– Crime? É constatarmos dados científicos do desmatamento da floresta Amazónica e termos um presidente que desmente esses dados, com o maior desprezo pela ciência e seus diretores.

– Crime? O maior de todos, é falar o nome de Deus em vão como se fosse a coisa mais banal do mundo. Quem souber os sagrados mandamentos de Deus, saberá que um deles diz que “não se deve invocar o santo nome de Deus em vão”. E quem souber o primeiro e mais importante: “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, jamais um presidente criaria uma lei para armar a população e estimular a matança de seus próprios irmãos. Ninguém tem o direito de matar ninguém, seja a que pretexto for. Por isso existem os tribunais nas civilizações atuais, embora por vezes sejam corruptos. Mas em última instância existe o tribunal divino ao qual ninguém escapa. É histórico que “violência gera violência”. Por isso combater a marginalidade pela violência é como recebr “um tiro pela culatra”. Jamais levará a algum lugar, aliás, a violência tenderá sempre a aumentar, como tenho constatado nos 28 anos que moro no Brasil. Só um cego lunático não consegue enxergar o óbvio. Criem-se amplas condições dignas e humanas para toda a sociedade, anulem-se os absurdos desequilíbrios sociais, e a violência de qualquer espécie se extinguirá.

Se me quiser denunciar por ser contra a existência desses crimes, aceitarei a denúncia com todo o prazer.

 

Obs: outros fanáticos e obscurantistas ainda, que não aceitam ser contrariados ou simplesmente não aceitam as diferenças, ainda me acusam que eu vendo pornografia… como se todos fossem das suas laias. Nem têm coragem de colocar seus emails verdadeiros. Quando respondo, por descaro de consciência, os emails vêm devolvidos…

Alguém que se diga ou identifique com a doutrina espírita, jamais enveredaria por tais caminhos, por menor que seja seu conhecimento dessa doutrina.

Enfim, é difícil imaginar e entender como pessoas tão desqualificadas conseguiram alcandorar-se a níveis governamentais tão elevados. Por aí se classifica o nível inteletual dos que os elegeram…

Alberto Maçorano