A relação de poder da informação e das novas ferramentas digitais tem desenhado um caminho obscuro na comunicação e na construção da cidadania. As formas de manifestação do pensamento têm-se propagado na mesma velocidade da tecnologia. 

As pessoas se sentem mais conectadas, mais próximas umas das outras, com mais acesso a conteúdos e com a liberdade de fazer escolhas e relatar opiniões por diferentes meios.

São formas democráticas e necessárias da comunicação moderna. O perigo está na falta de controle e discernimento sobre o que se vê, ouve ou fala. O acesso às ferramentas não garante o despertar do senso crítico e da fundamental reflexão humana.

Questionar também é aprender e se informar. Mas o que se percebe é que para muita gente o que vale mais é propagar conteúdo como se a quantidade demonstrasse qualidade de conhecimento.

Quem participa de redes sociais e grupos de wahtsapp, identifica o “ser” que tem tempo para isso, aquele que compartilha posts que já rodaram os cinco continentes e sequer sabe as suas origens. E, pior, espalha conteúdo sem qualquer análise do que se trata de concreto e se realmente faz sentido. E, apesar disso, distribui, sem nenhum pudor, o conhecimento medíocre recém-adquirido como um propulsor da sabedoria. Apenas como um gesto de fazer parte dessa tendência, mesmo que seja representado por algoritmos. Soa tão falso como as mentiras compartilhadas. Isto quando não é capaz de se sentir vítima do próprio engano quando descobre as armadilhas da comunicação.

Infelizmente, é o poder que as fakes news promovem nas relações, pelo simples domínio da inteligência artificial, que chega mais longe em menos tempo. E elas estão por toda a parte e devem impactar cada vez mais no dia a dia. Melhor, então, é dar um choque de realidade, trocar o instinto do medo pela desconfiança e provocar a inversão dessa manipulação. Alguns filtros e leis são capazes de evitar o desequilíbrio no exercício da cidadania nesta sociedade da informação.

Sandra Lambert é coordenadora

de jornalismo na rádio CBN Ribeirão

Ribeirão Preto, 17/10/18

Nosso comentário: apesar do jornal “A Cidade” ter deixado de circular recentemente, tinha jornalistas excepcionais e, enquanto circulava, fui guardando documentários muito bons e importantes para serem postado no futuro, pois não tinha tempo hábil para postá-los no meu blog diariamente. Este é um dos primeiros que irei postar e que achei importantíssimo, no âmbito da comunicação moderna, sobretudo pelo impacto que teve na votação do atual presidente eleito, Jair Bolsonaro.

Seria ótimo se através destes exemplos pudéssemos frear este impulso “inconsciente” de reflexos imponderáveis na sociedade, capazes de nublar, completamente, o ser mais inocente.

Pense nisso, reflita agora!

Alberto Maçorano