BRASÍLIA – O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou novamente à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de abertura de inquérito contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Diferentemente do que fez no inquérito que apura a relação de Aécio com o esquema de corrupção em Furnas, desta vez Gilmar enviou os autos ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sem nem ao menos autorizar a abertura das investigações. O segundo pedido está relacionado a uma investigação sobre a suspeita de manipulação de dados do Banco Rural, prática que teria sido adotada para esconder o mensalão mineiro durante a CPI dos Correios.

Para o ministro do STF, após a manifestação da defesa do senador e de outras partes envolvidas, é preciso que Janot se manifeste sobre a real necessidade da instauração do inquérito sobre os dados do Banco Rural.

Os dois pedidos de investigação foram feitos pela PGR a partir da delação premiada do ex-senador Delcídio Amaral (sem partido-MS). O inquérito sobre a CPI dos Correios também envolve o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB).

No caso de Furnas, Gilmar suspendeu a execução das diligências um dia depois de autorizar a abertura do inquérito. O ministro justificou a decisão dizendo que o caso precisava ser reavaliado por Janot diante da manifestação da defesa de Aécio, que alegou não haver elementos novos para a abertura do inquérito.

Outro lado

Quando o pedido de abertura do segundo inquérito veio à tona, Aécio afirmou, por meio de sua assessoria, que as informações da delação de Delcídio em relação a sua atuação na CPI dos Correios eram “improcedentes, caluniosas e sem qualquer tipo de comprovação na realidade”.

Ele apontou incongruências nas informações contidas no acordo de colaboração, como a data em que Aécio e Delcídio tiveram uma reunião para falar sobre a CPI dos Correios, da qual o ex-senador era presidente. “Informamos que a reunião mencionada por Delcídio, em Belo Horizonte, em que o assunto teria sido tratado, ocorreu em 7 de junho de 2006. Ou seja, dois meses depois de encerrados os trabalhos da CPMI dos Correios”.

O senador tucano também nega que tenha apresentado requerimento para aumentar o prazo para apresentação de informações pelo Banco Rural e afirma que o relatório final “foi feito com base em dados fornecidos também pelo Banco Central”, e não apenas pela instituição.

O deputado Carlos Sampaio disse que procurou a PGR para apresentar esclarecimentos e documentações sobre o assunto. O deputado sustenta que não há motivos para ele ser investigado. Em nota, Eduardo Paes afirmou estar “à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos sobre o episódio”. (Isadora Pero)

Nosso comentário: é inacreditável que um juiz do STF se deixe envolver pelas “paixões políticas” e tome atitudes e comportamentos parciais tão evidentes que escandalizam o senso comum. Este senhor não honra o título académico que ostenta, nem a dignidade que lhe é inerente. Tem um comportamento ostensivo contra o PT em geral e Lula e Dilma em particular, defendendo com unhas e dentes, vergonhosamente, a podridão dos seus lacaios do PSDB, sobretudo do senhor Aécio Neves. Como se pode ser tão leviano? É o pagamento da propina por ter sido aí colocado pelo senhor FHC. É o velho sistema político brasileiro do “toma lá, dá cá”. E falam eles que ninguém está acima da lei, para justificar as “ingerências” contra Dilma e Lula. Só um cego não vê que estes senhores falam como se estivessem acima da lei, o que de fato, é verdade. Eles se acham acima da presidência da República, pois, não existe nenhum órgão que os puna ou coloque nos eixos em todas as arbitrariedades que se propõem. Então, que autoridade julgam atribuir-se quando ela não é desenvolvida com isenção, humildade e profissionalismo? Por isso, no nosso entendimento, todas as decisões e ponderações, mesmo que advindas desse conspurcado órgão, deveriam ter a chancela da Presidência da República, sem a qual não teriam qualquer validade.

Alberto Maçorano

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