A maternidade vai muito além do mero fenómeno biológico do aparelho reprodutor. Criar um filho, gerá-lo, dá-lo à luz, à vida, ao mundo, implica uma série de circunstâncias que tornam a mulher eternamente comprometida com esta missão social, espiritual e existencial. Nunca mais ela estará só ou viverá apenas para si mesma.

                É que os filhos, em qualquer idade, justificam as mães. Ainda que não saibam disso, serão eles, sempre, o fiel da balança para essas mulheres a serviço do amor incondicional.

                Nesta conta de somar entram também os “filhos do coração”. Aqueles que são adotados. E os que são gerados fora do corpo ou inseminados, por problemas fisiológicos ou por determinação médica.

                Mas esta sociedade que valoriza e idealiza tanto o amor materno, ainda não aprendeu a evitar que ele se deturpe. Por exemplo: não conseguimos impedir a gravidez precoce, na adolescência, quando a menina ainda não está pronta para a grande tarefa de ter uma criança. É trágico.

                Aí começa o círculo vicioso das vítimas da desinformação. Menores abandonados, criados na rua, entregues, mais do que à miséria, aos largos braços dos esquemas criminosos, tão oportunistas e cruéis em utilizar inocentes em suas operações ilícitas. Como, por exemplo, o faz o tráfico de drogas.

                De um lado o amor ideal, de outro a vida real. É preciso fortalecer um, para modificar o outro.

Editorial do jornal “A Cidade”
Ribeirão Preto, 08/05/16

Nosso comentário: apesar de fora do dia “agendado” como dia das mães, por não ter tido tempo útil para alinhavar algumas frases contextuais, aí vai o nosso minúsculo comentário ao editorial do respectivo dia: lindas palavras, sem dúvida. Gostei parcialmente do texto. Foca de fato a realidade. Mas, como de costume, foge à responsabilidade social, não direciona uma alternativa eficaz.

Como “fortalecer um, para modificar o outro” se a sociedade não dá um passo, sequer, para que isso se concretize. Apesar de muitos casos não serem originados por dificuldades de sobrevivência, a maioria o é, de fato. Não obstante, a mola propulsora de ambos os casos é, sem dúvida, a real sociedade em que nos inserimos. Não são os “esquemas criminosos, tão oportunistas e cruéis” responsáveis, de fato, por essa triste realidade, mas sim, a sociedade, que dá espaço para que o tráfico, a droga e respetiva criminalidade campeiem por tudo quanto é canto, nas barbas das autoridades, sem que nada, nem ninguém se dê ao excelso trabalho de envidar esforços sobre humanos para acabar com essa distorção social.

Todo o mundo constata isso nas ruas, humanos dormindo ao relento, ao abandono, de fome, no submundo do crime, da droga, da prostituição e, ao seu lado, burgueses dormindo em palacetes. Mas, ninguém se preocupa e esforça em anular esse câncer social.

Eu próprio, já cansei de alertar esse “seletivo jornal” para, pelo menos, anunciarem o meu blog, que foi criado especificamente para divulgar e angariar aderentes para um negócio que possa manter uma obra assistencial de abrigo e regeneração de moradores de rua, que pretendemos criar, como consta no final do texto que titula o nosso blog, informando e divulgando que enquanto a sociedade não se conscientizar que a morte não existe, que a vida continua eternamente após ela, e que tudo que fizermos de errado será pago, inexoravelmente. Enquanto vivermos numa sociedade fictícia, utópica, dogmática, preconceituosa, materialista, sem o verdadeiro amor que Cristo nos ensinou e pelo qual se deixou desencarnar, não sairemos deste círculo vicioso, para o qual, esse digníssimo jornal também contribui.

Então não atirem pedras às correntes criminosas, se esse jornal não faz a simples lição de casa, ajudando e colaborando com os que se propõem, de fato, minimizar essa deplorável, injusta e angustiante situação social.

 

Alberto Maçorano
www.albertomcorano.com.br

 

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