Pela primeira vez um buraco negro, o que existe no centro da nossa galáxia, ajudou a confirmar a teoria da relatividade geral de Einstein

FÍSICA
Ondas gravitacionais de Einstein dão Nobel da Física a três cientistas.
As observações que confirmam a teoria da relatividade geral de Einstein têm-se sucedido a bom ritmo, e agora aconteceu de novo, graças aos maiores telescópios do mundo, os VLT, do ESO, o European Southern Observatory. Nesta história, o protagonista é o imenso buraco negro que habita o coração da Via Láctea – a nossa galáxia.

Os resultados, anunciados hoje pelo ESO, culminam um trabalho de 26 anos a observar o centro da galáxia, que dista 26 mil anos-luz da Terra, e que alberga um “monstro” com uma massa quatro milhões de vezes superior à do Sol.

Foi ao observar uma estrela, a S2, que gravita a velocidades vertiginosas, juntamente com algumas outras, na proximidade deste buraco negro, que os astrofísicos observaram os resultados que confirmam a teoria do mais famoso físico do século XX.

Os telescópios VLT, no Chile© ESO
De acordo com a teoria da relatividade geral de Einstein, os objectos luminosos que passam junto a um campo gravitacional muito intenso sofrem um fenómeno conhecido por desvio para o vermelho gravitacional. De forma simples, a onda luminosa sofre uma espécie de alongamento, com uma alteração na parte vermelha do espectro, ao sair da esfera de influência desse campo gravitacional.

Preparámo-nos intensamente para este momento. Queríamos aproveitar esta oportunidade única de observar os efeitos da relatividade geral na luz da estrela

Foi exatamente esse fenómeno que a equipa internacional de astrofísicos liderada por Reinhard Genzel of the Max Planck Institute for Extraterrestrial Physics, na Alemanha, observou, apontando os VLT à estrela S2. Os cientistas já tinham observado antes esta estrela, mas não conseguiram confirmar na altura aquele efeito de desvio para o vermelho.

“Esta foi a segunda vez que observámos a passagem da S2 junto ao buraco negro no centro da nossa galáxia, mas desta vez tínhamos muito melhor instrumentação e conseguimos observar a estrela com uma resolução sem precedentes”, explica Reinhard Genzel. E sublinha: “Preparámo-nos intensamente para este momento desde há anos, uma vez que queríamos aproveitar esta oportunidade única de observar os efeitos da relatividade geral na luz da estrela”.

A oportunidade foi bem aproveitada. Mais de cem anos depois de Einstein ter publicado a sua teoria da relatividade geral, ela continua a ser confirmada pelos trabalhos dos cientistas de hoje.

Diário de Notícias

Postado por Nilza Garcia, em 22/07/18, na Rede Espirit Book