O motorista sexagenário conduz às suas casas um jovem executivo simpático e eu.

O motorista está indignado com “esse negócio de direitos humanos”. O executivo não se conforma com o pessoal que defende bandido. Diz que marginais andam armados, matam e ainda recebem a proteção dos direitos humanos.Para ele bandidos não são humanos, pois desgraçam famílias e estrupam crianças. O motorista vai além: lugar de bandido é na cova. O executivo diz que “não entra na minha cabeça” o Estado dar pensão à família do presidiário.

                Chegamos ao condomínio onde mora o executivo. São sobradinhos da classe média alta que está “subindo na vida”. Presume-se que mais uns dez anos muitos moradores irão para locais mais condizentes com suas expectativas sociais. Mesmo assim, o condomínio é um luxo se comparado com o bairro do motorista e o meu.

                Moral da história: o motorista, da classe D, identifica-se com o executivo da classe B+. O “senso comum” dá a “liga” que deve determinar o mesmo posicionamento político de cada um. Ambos são pessoas boas e honestas. Provavelmente os dois ganham menos do que merecem; o executivo, apesar disso, talvez mais do que precisa, não fossem suas expectativas.

                Não há como convencê-los de que as “classes baixas” não têm direitos humanos e a criminalidade é fruto da miséria social: sem condições de sobrevivência digna o homem embrutece e reage como bicho acuado: ataca.

                Como convencer um motorista cujos netos sofrem com o assédio dos traficantes, e um ascendente executivo que teme pela segurança dos filhos, que só a justiça social contém a criminalidade?

Júlio Chiavenato
Ribeirão Preto, 18/10/16 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: é esse exatamente o meu pensamento. Como sempre o senhor tem uma análise criteriosa, concreta e objetiva, calcada em profundo conhecimento do “status social” em que nos inserimos e da podridão política criminosa que o envolve. E baseado nessa distorção política e administrativa ataca-se o câncer social pelo efeito e não pela causa. Assim, não iremos a parte alguma. Pelo contrário, a reação “marginal” é cada vez maior. É pena que o daltonismo abranja toda uma classe política e administrativa que não consiga enxergar o óbvio. Os resultados estão à vista de todo o mundo.

                Só aproveito acrescentar que além da sua conclusão, corretíssima, é imperioso divulgar a doutrina espírita, como filosofia existencial nas escolas, para que a sociedade se conscientize cada vez mais que em pleno sec. XXl, não mais satisfazem conceitos de que morreu, acabou; céu e inferno; e que a justiça terrena seja a única que prevalece. Equívoco total. É imperioso saber que existem milhares de vidas e que ninguém escapa à justiça divina por mais escondido que tenha sido o crime ou abuso de poder. Por isso a reencarnação para que os “faltosos e criminosos” venham “pagar” as suas dívidas em diferentes formas, conforme a gravidade dos crimes, por exemplo: cegos, anões, sem membros, ou quaisquer outras deficiências físicas ou mentais. É bom que se saiba que não existem “malucos”, mas processos regenerativos que incluem a imbecilidade e por aí vai.

 

Alberto Maçorano