Com apenas um ano e 10 meses de vida, o menino Lorenzo Gonçalves já recebeu uma amostra de como o Estado trata seus cidadãos. Dos 22 meses de vida, Lorenzo esperou 19 para que a máquina burocrática e seus carimbos liberassem um benefício, no valor de um salário mínimo 

(R$ 954,00) à mãe, para que pudesse arcar com as despesas de um tratamento médico para o filho.

                Ele tem microcefalia associada ao zika vírus: não anda, não fala e nem consegue respirar sozinho. Os poucos movimentos dos braços e pernas foram conquistados com fisioterapia.

                Ontem, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) – depois de uma reportagem do portal A Cidade ON – finalmente decidiu que o pagamento deve ser feito. Até então, diversos órgãos do governo indeferiram quatro pedidos da mãe para a concessão do benefício. O último, há pouco mais de uma semana, veio acompanhado de uma explicação lacónica e surrealista: “não atende ao critério de deficiente”. Foram precisos quatro “nãos” para chegar a um sim.

                A história de Lorenzo, infelizmente, é uma entre milhares de exemplos da insensibilidade do Estado brasileiro com os seus filhos. Não é possível acreditar que qualquer funcionário público, vendo a ficha médica do menino, não tivesse a sensibilidade de perceber que o alvo do pedido era uma criança de um ano e 10 meses. Esse índice de desumanização é vergonhoso, inaceitável e deveria servir de exemplo para que gestores públicos revissem os seus procedimentos internos, para que situações como essa de Lorenzo se tornem exceções e não a regra.

                Claro que nada será feito e outros Lorenzos vão sofrer pela insensibilidade de alguns burocratas.

                Confrontados, citarão leis, artigos, incisos e parágrafos em suas defesas, sem o menor pudor, mesmo sabendo que esse mesmo Estado a quem servem é aquele que, por falta de políticas públicas decentes, pode ter causado a doença de Lorenzo.

José Manuel Lourenço é editor do ‘A Cidade’
Ribeirão Preto, 22/06/18

Nosso comentário: concordo plenamente quanto à insensibilidade de certos burocratas dos serviços públicos. Contudo, discordo completamente quanto à origem da microcefalia concebida pelo jornalista em causa: primeiro ele disse: “Ele tem microcefalia associada ao zika vírus”… depois, para terminar, conclui: “por falta de políticas públicas decentes, pode ter causado a doença de Lorenzo”.

É gritante a insensibilidade de alguns jornalistas ao divulgarem fatos e acontecimentos sem fundamentação. Já comentou por várias vezes nesta mesma coluna, que a microcefalia nada tem a ver com o tal “zika vírus” da vida. Nem mesmo assim a direção desse jornal tomou as providências indispensáveis para apuração da verdade, independentemente de credos religiosos, outrossim, apoiada em fundamentos existencialistas autênticos. Então, que espécie de jornalismo é esse? Que apenas transcreve uma parte da versão da microcefalia? Que verdade quer transmitir ao leitor mais desavisado informando apenas uma vertente da pseudociência sobre a microcefalia?

A tão badalada microcefalia é apenas uma doença “kármica”, simples assim. Nada tem a ver com os tais “zika vírus” da vida. Quer saber mais? Procure, investigue, questione, pois: “quem procura, acha”, e nem tudo que luz, é ouro, como se diz na santa terrinha portuguesa…

Alberto Maçorano