Consolar os pobres e confortar os ricos. Prometer aos miseráveis as migalhas que caem da mesa. Esta é a política mais bem-sucedida no Brasil.

Os milhares de candidatos são práticos nessa empulhação. Estão amparados pela lei feita por eles para eles.

Então, não há ninguém que presta?

Talvez, só que ainda não compareceram para salvar o Brasil. Por que não se atrevem ao “sacrifício”? Porque são expelidos pelo sistema. Mas, por que não se muda o sistema? Aí a coisa pega, pois, cada vez que alguém se atreve a explicar como o sistema funciona, entram na arena os bem-pensantes para acusá-los de todos os defeitos disponíveis no repertório reacionário.

                Estamos dominados por um bando de fingidos. Uns fingem melhor. Enganam e alimentam sonhos que terminam em pesadelo. Vide Lula, Dilma e Temer. O sonho inicial foi o prenúncio do pesadelo “temerista”. Dizer que Temer é o pesadelo do qual dificilmente despertaremos pode causar a ira daqueles que acham que tudo vem para melhorar a vida da gente. Afinal, livrar-se do “lulopetismo” era o que lhes importava, apesar do pesadelo atual.

                Agora o voto só é considerado nulo se há fraude. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral “votos nulos são como se não existissem: não são válidos para fim algum”. Se o eleitor anular o voto, o TSE não o considera nulo. Perdemos o direito ao protesto: anularam o voto nulo. Os políticos e os donos da bola têm medo que a eleição termine com a vitória do nulo, “que não entram no cômputo dos votos, servindo, quando muito, para fins de estatística”. Não há como a democracia brasileira ser mais hipócrita.

Júlio Chiavenato 
Ribeirão Preto, 17/08/16 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: senhor Chiavenato, continuo tirando o chapéu para as suas considerações minuciosas sobre a trajetória da tenebrosa política brasileira, culminando hoje com a maior farsa institucional que resultou no impeachment de Dilma Rousseff.

                Realmente, chega-se hoje ao ápice da hipocrisia da democracia brasileira. É lamentável que, após quase vinte anos de democracia, pelo menos em teoria, o sistema tenha regredido, ao invés de ficar mais amadurecido; a corrupção tenha aumentado, ao invés de ter diminuído; as mordomias terem aumentado, ao invés de se olhar mais para o povo; a marginalidade ter aumentado, ao invés de ter diminuído; a degradação social ter aumentado, ao invés de diminuído; a repressão policial ter aumentado, ao invés de se propagarem medidas mais humanas e regenerativas; o ensino ser pior a cada dia; os princípios éticos e morais cada vez mais degradados, enfim, chegando-se ao cúmulo de a própria democracia, sim, leia-se com atenção e sem fanatismos, o próprio sistema democrático recusar uma presidente eleita pelo mais sagrado princípio democrático, as eleições livres, sendo barrada desde a tomada de posse pelos “coronéis e caudilhos políticos”, obstruindo qualquer possibilidade governativa.

É evidente que só poderia enveredar para uma profunda crise política e governativa e, como não poderia deixar de ser, com impacto tenebroso no sistema económico.

Aproveitando-se desse artificialismo provocado por eles próprios, chegaram onde eles queriam: a destituição “armada” de uma presidente eleita pelo voto popular.

Só os “cegos” e fanáticos, não conseguem ou fingem não enxergar a triste realidade.

 

Alberto Maçorano