O problema da água não é só o abastecimento. É mais complexo e não pode ficar nas mãos de políticos demagógicos e irresponsáveis.

Ao pensar na proteção do Aquífero Guarani é preciso entender que a água é o maior desafio ecológico do planeta. Além da escassez, poluição e desperdício, há a cobiça das multinacionais e os direitos dos países vizinhos.

                Os pobres são os que mais sofrem com a má gestão das fontes. Gâmbia, Somália e Moçambique, por exemplo, consomem menos de 10 litros/dia por habitante. Estes países nunca tiveram política pública de abastecimento e a população explorou as fontes até o esgotamento.

                45 milhões de brasileiros não têm água potável e mais de 100 milhões vivem sem rede de esgoto. Segundo a ONU, 1,2 bilhões de pessoas não têm água potável no mundo e 2,7 bilhões não têm saneamento básico. Há conflitos localizados pela água entre a Turquia e Síria, China e Índia, Angola e Namíbia, Etiópia e Egito, Bangladesh e Índia.

                Ribeirão Preto está em cima do Aquífero Guarani. Mas o aquífero não é nosso. Nem dos países onde ele se estende. Pertence à humanidade. O equilíbrio ambiental de qualquer região é importante para a qualidade da vida de todos os cidadãos da Terra. É uma questão filosófica. Cientificamente simples; politicamente complicada. A água não é uma “commodity”. O poder público é responsável pelo bem estar e a segurança do povo e não pode deixar as coisas “correrem” até que as transacionais entrem no “negócio” e vendam água como uma mercadoria qualquer.

                Não podemos nos omitir. É crime de lesa humanidade mentir e usar a água para ganhar vostos.

Júlio Chiavenato
Ribeirão Preto, 25/10/16 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: muito bem colocado esse questionamento senhor Júlio Chiavenato, como, de uma maneira geral, são sempre bem fundamentadas as suas crónicas. Todavia, o senhor foi ético e não foi direto ao candidato que originou esta polémica. Quem não está por dentro vamos explicar: existem dois candidatos no segundo turno para Prefeito de Ribeirão Preto: Duarte Nogueira (com idoneidade, experiência comprovada, gabarito profissional e técnico, e Ricardo Silva, um jovem novato na política, logicamente sem muita experiência e idoneidade e com indícios comprobatórios de suspeita de receber propina, na Operação Sevandija, como consta nas notas de dois reais apreendidas pela P.F. as iniciais R.S., que poderão ser dele ou de Rodrigo Simões). Cabe à polícia investigar, mas só pelo fato de haver uma suspeita, pensamos que deveria ser inibido de se candidatar .

                 Assim como o vereador Capelas Novas que está implicado nessa mesma operação mas que foi eleito novamente e até prova em contrário está em condições de tomar posse. Fala-se tanto contra a corrupção neste momento pelo Brasil afora. Existe uma Lava-Jato para apurar a corrupção na Petrobrás, mas, que, infelizmente já está desviando-se e equivocando-se nos reais objetivos. Perante tudo isso, faz sentido que as pessoas envolvidas e suspeitas desempenham normalmente as funções governativas e ainda possam candidatar-se? A pergunta fica no ar.

É do domínio público que o senhor Ricardo Silva esnobou o candidato Duarte Nogueira quando este demonstrou a preocupação pela reserva do Aquífero e disse que iria propor o aproveitamento da água do Rio Pardo para a população. O senhor Ricardo Silva, demagogicamente, aproveitou esse posicionamento no sentido da caça ao voto da população menos esclarecida.

Infelizmente não posso votar porque sou estrangeiro. Não sou fan, nem adepto de nenhum dos dois. Mas, perante os dois perfis, não será preciso ser muito inteligente para tirar uma conclusão e fazer uma opção consciente.

Alberto Maçorano