A conversa é antiga. Eu mesmo – nos tempos idos – ouvi, não poucas vezes, que o Brasil quedou-se no país que todos conhecemos por causa de a colonização ter sido feita por Portugal.Não foram poucos os analistas – muitos ainda pensam assim – que diziam que, se Maurício de Nassau, príncipe holandês, tivesse tomado todo o país para colonizar e não apenas o nordeste, o Brasil seria, hoje, muito mais desenvolvido, económica e socialmente.O mesmo ocorreria, caso a colonização fosse obra da Inglaterra, esquecendo-se de que a Guiana inglesa foi colonizada pela Inglaterra.Nem por isso, ela conseguiu ser um cânone – um exemplo – de desenvolvimento económico e de civilização. Pelo contrário.

            Mas, o esclarecimento definitivo veio-me – já na juventude – depois de ler entrevista do sociólogo e senador, Darcy Ribeiro. Indagado em questão relativamente semelhante, Darcy não teve dúvida e afirmou: “se os colonizadores fossem os holandeses – e não os portugueses – o Brasil seria um enorme Suriname”. Foi a primeira luz que – lembro-me – recebi a respeito. O Suriname, cuja capital é Panamaribo – até 1971 era Guiana Holandesa – já pertenceu aos ingleses. Em 1667 – depois de muita disputa – foi negociado. Os ingleses receberam – na transação de então – a ilha de Nova Amesterdãn, que atualmente é Nova Yorque. A guiana deixou de ser colónia da Inglaterra e passou a ser colónia da Holanda.

            O esclarecimento do sociólogo e senador Darcy Ribeiro trouxe-me um raio de luz, mas a discussão ainda perdura, sempre no plano movediço das hipóteses exatamente porque não há outro plano possível de discussão.

Vicente Golfeto
golfeto@jornalacidade.com.br
Ribeirão Preto, 13/01/16

 

Nosso comentário: pois é, caro Vicente Golfeto. Aprecio muito a sua capacidade intelectual, a sua enorme bagagem de conhecimentos e o seu grande discernimento. Tive a enorme felicidade, nos anos que estou no Brasil, de ouvir esse grande brasileiro Darcy Ribeiro e, posteriormente, conhecer um pouco da sua biografia, podendo concluir com toda a convicção tratar-se de um grande entusiasta e defensor do “portuguesismo”. Estou por dentro dessa lenga, lenga, que vc ilustrou com rara maestria e elevada capacidade de síntese. Sou admirador desse grande administrador Maurício de Nassau. Sem pretender entrar em grandes detalhes administrativos e políticos, uma coisa é governar aquele pequeno território nordestino. Outra, completamente diferente, seria a ampliação dessa administração para o imenso território brasileiro. Se ele se limitou a esse espaço, talvez fosse por não reunir condições de posse e administrativas do restante território brasileiro. Só por isso, já se manifestaria a superior capacidade portuguesa.

                Há quem diga, com alguma razão, que o Brasil teria sido descoberto ao acaso, ou seja, que os ventos teriam levado as embarcações de Cabral para as praias de Vera Cruz. Só dissipei as minhas dúvidas quando li “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, psicografado pelo eminente e conhecidíssimo Chico Xavier, ditado pelo espírito de Humberto de Campos, grande jornalista brasileiro quando encarnado. Para mim, é o melhor compêndio da verdadeira história do Brasil. Resumindo, a descoberta do Brasil pelos portugueses é de ordem divina, ou seja, os portugueses, pelas razões da época, aí manifestadas, foram os escolhidos na espiritualidade para serem os descobridores das terras do Cruzeiro ou de Santa Cruz, mais tarde, Brasil. (veja também o nosso site: www.olivrodosespiritos.com.br)

Alberto Maçorano

 

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