Certa manhã, Carl Coleman estava indo de carro para o trabalho e bateu no para-lama de outro veículo.

Ambos pararam, e a mulher que dirigia o outro carro desceu para ver o estrago.

Ela ficou angustiada. Algumas lágrimas lavavam seus olhos preocupados, discretamente.

Assumiu a culpa e disse que seu carro era novinho em folha. Fazia dois dias que havia saído da loja, e ela estava com medo de enfrentar o marido e a reação que ele teria.

Coleman agiu com simpatia, mas precisava apresentar seus documentos e ver os dela.

Ela, um tanto trêmula, retirou do porta-luvas um envelope contendo os documentos.

Na frente dos documentos, escritas com a letra característica de seu marido, estavam as seguintes palavras:

Em caso de acidente, lembre-se, querida: é você quem eu amo, e não o carro.

* * *

A narrativa nos traz uma reflexão de muita importância para nossas vidas.

Qual o valor que atribuímos às coisas?

Será que, por vezes, nossas reações perante a ameaça de perda dessas coisas, não mostra que parecemos valorizar mais nossos bens do que nossos amores?

Em acidente semelhante ao relatado, quantos escândalos, gritos e repreensões são ouvidos antes da simples pergunta: Você está bem? Ou Aconteceu alguma coisa com você?

Será que lembramos daquilo que realmente é importante?

É claro que o zelo, o cuidado pelo que temos é necessário, porém, nosso materialismo excessivo leva-nos a colocar os bens em primeiro plano. Acidentes ocorrem e podem acontecer com qualquer um de nós.

Podemos ser motoristas hábeis, previdentes e cuidadosos e, mesmo assim, o risco desses incidentes ainda será grande, pois eles fazem parte do mundo em que vivemos.

É triste perceber que algumas pessoas chegam a perder suas vidas, defendendo bens, acreditando que a reação a um assalto, por exemplo, evitaria o prejuízo.

Ledo engano. O prejuízo é muito maior do que imaginamos, quando se trata de vidas humanas, de nossas vidas.

Será que estamos lembrando daquilo que realmente é importante?

Será que o pai de família não pensa que, numa pequena discussão de trânsito, num desaforo que ele não deseja levar para casa, está pondo em risco a sua vida, e todo o futuro de seus familiares?

Podemos chamar de irresponsável a pessoa que acredita na reação violenta para resolver suas questões.

Não nos deixemos enganar, valorizando mais um carro novo do que uma esposa, um marido; valorizando mais um enfeite caro de nossa casa do que um filho, um amigo.

Se por hora perdermos os bens, ou se formos atingidos por um prejuízo financeiro, lembremos de que sempre poderemos conquistar tudo novamente, e que não estamos aqui na Terra para acumular bens e fortuna.

Estamos aqui para aprender a amar, para crescer como Espíritos.

* * *

Não ajunteis tesouros na Terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam.

Ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.

Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.

Redação do Momento Espírita

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em 23/05/19, na Rede Espirit Book.