A Revelação Espírita foi o grande acontecimento do século XIX. Em sua pujante manifestação, ela explica,
esclarece, anuncia de maneira inteligente e racional todas as revelações passadas e prevê as revelações do futuro. Foi, portanto, com justa razão que o grande pensador brasileiro, Doutor Pinheiro Guedes, disse: “O Espiritismo abrange o ciclo das evoluções do Espírito ab initio ad eternum, do início ao infinito”. O Espiritismo parece muito novo, porque a sua codificação, admiravelmente concebida por Allan Kardec,
tem unicamente 80 anos (1); entretanto, em sua essência íntima é tão velho quanto o mundo. Tem sido a alma detodas as crenças, o espírito de todas as religiões que têm embalado a Humanidade.
(1) A 1.ª edição deste livro data de outubro de 1932. (Nota da Editora).

Desde tempos imemoriais, desde épocas remotíssimas da História, a comunicação com os Espíritos tem sido praticada por homens e mulheres, grande parte dos quais fazia dessa comunicação sua especialidade.
Todos os livros sagrados referem-se a aparições e comunicações, quer com Espíritos Superiores, chamados
pelos sacerdotes como santos, anjos ou arcanjos, quer com”pecadores” que, do outro lado do túmulo, através do mediunismo, vinham manifestar-se aos seus conhecidos, amigos e parentes que aqui ficaram.

Os Vedas, código religioso aparecido muito antes de Jesus Cristo, afirma a existência dos Espíritos dos
antepassados, que, em estado visível, acompanhavam certos brâmanes, e acrescenta que “os anacoretas e cenobitas tinham a faculdade de conversar com os mortos”. O povo da China, cuja cronologia marca mais de 30.000 anos, nunca deixou de evocar os Espíritos. O missionário Huc fez referência a um grande número de experiências, que tinham por fim a comunicação dos vivos com os mortos.

No Egito, os poderes sacerdotais facultavam lhes as relações com o Mundo Espiritual, embora naquele tempo as práticas tivessem características misteriosas e sobrenaturais. As evocações dos mortos eram de tal modo generalizadas na Grécia que, pode-se afirmar, constituíam crença de todo o povo. Todos os templos possuíam mulheres, às quais davam o qualificativo de pitonisas, (médiuns) encarregadas dos”oráculos” e de fazerem aparecer Espíritos.

A celebridade do Templo de Delfos, onde os Espíritos, pelos lábios das pítias proclamavam o “Deus grego”,
iluminando os mistérios da vida, as existências passadas e futuras, as relações da alma com o corpo, são verdades que aparecem hoje à luz do Espiritismo. Dai a inscrição que se lia no frontispício desse Templo: “Conhece-te a ti mesmo”.

Em Roma, na Itália, como na Grécia, as sibilas evocavam os mortos e interrogavam, sem cessar, os Espíritos, e nenhuma empresa importante era decidida sem que se consultassem as sacerdotisas. Os antigos médiuns assim se chamavam: pítias, pitonisas, sibilas, sacerdotisas e quase todos apareciam ou se destacavam entre as mulheres.

Viviam isolados nos templos, alguns bebiam água da Fonte de Castália, que diriam dar inspiração, ou mascavam folha de louro, que “provocava, pelo seu aroma, a concentração”. Além do Santuário de Delfos, destacavam-se o de Júpiter Amon, na Líbia; o de Marte, na Trácia; o de Vulcano, em Heliópolis; o de Esculápio; o de Isis, e muitos outros.

A Bíblia salienta os poderes extraordinários dos sacerdotes faraônicos, e através dessas páginas, se desenrolam as cenas espantosas que ocorreram por ocasião da libertação dos Israelitas, fenômenos hoje catalogados e explicados racionalmente pelo Espiritismo.

Ainda no Velho Testamento, grande repositório de documentos históricos, lemos a narração de fenômenos
transcendentes, de previsões, sonhos, revelações, profecias, aparições e comunicações de Espíritos, tal como se produzem nos nossos dias.

Além do resplendor do Sinai, fato estupendo que só pode ser resolvido pela Teoria Espírita; além das manifestações que se verificaram na vida de José, filho de Jacó, a quem os Espíritos se mostravam no seu “corpo mágico”, todos os profetas maiores e menores – Samuel, Jeremias, Malaquias, Jó, Isaías, Ezequiel, Daniel, mantinham estreitas relações com os Espíritos de várias categorias.

Esdras, sob o ditado de um Espírito, reconstitui a Bíblia que se havia perdido; Sansão, poderoso médium de efeitos físicos, abala as colunas de um edifício onde se efetuava um festim e deita por terra os convivas entregues às mais detestáveis bacanais.

Era tão comum entre os Israelitas as comunicações com os mortos, que até os reis não levavam seus exércitos a combater sem consultarem, primeiramente, os profetas. Achab, rei de Israel, e Josafá, rei da Judéia, nenhuma decisão tomaram durante o seu reinado sem a prévia consulta aos Espíritos.  Saul evoca o Espírito de Samuel antes de entrar em luta contra os Filisteus, e como este não lhe respondesse “nem
por sonhos”, nem por outra mediunidade, vai a Endor pedir à pitonisa a manifestação daquele Espírito.
Joel, arrebatado pela visão da nova aurora que começa a iluminar a Humanidade, proclama a difusão do Espírito sobre toda a carne, sem excetuar mancebos e velhos, filhos e filhas, servos e servas.

No Novo Testamento, as manifestações psíquicas começaram com o anúncio do nascimento de Jesus Cristo,
pelo aparecimento do Anjo Gabriel e continuaram sucessivamente desde o presépio de Belém até às contínuas aparições do Nazareno, post-mortem. Todas as páginas dos Evangelhos realçam os admiráveis fenômenos de curas, levitações, transportes, materializações e desmaterializações, aparições que denotam muito bem o plano espírita traçado pelo Mestre durante a sua passagem pelo mundo.

A transfiguração no Tabor, com as aparições de Moisés e Elias, é um fato digno de nota e estudo. Os “Atos dos Apóstolos” e as “Epístolas” são livros de grande interesse pelos fenômenos psíquicos neles registrados.
Os grandes escritores sagrados em todas as suas obras relatam fatos de natureza espírita, que vêm em apoio à teoria que propagamos. Santa Tereza era portentosa médium que vivia em contínuas relações com os Espíritos. Após a sua desencarnação, ela desenvolveu cinco médiuns no Convento, com quem se comunicava.

Santo Agostinho, o Padre Manuel Bernardes e outros, salientam fatos dignos de atenção, pela insuspeição e seriedade de suas narrações. E seria estultícia negar esses fenômenos só pelo fato de não serem compreendidos.

A missão do Espiritismo é, justamente, reunir, enumerar, catalogar esses fatos dispersos em todo o mundo como provas demonstrativas da Imortalidade. Ainda mais: enquadrando esses fenômenos em leis eternas, explicando-os de acordo com a razão, o Espiritismo os classifica como manifestações da Vontade de Deus, sob cujos influxos o homem compreenderá a sua situação na Terra e o futuro que lhe está reservado.

A Teoria Espírita satisfaz a todas as exigências da Ciência e da Religião. A Grande Revelação é a evolução
lógica da ideia monoteísta proclamada no Sinai como a primeira etapa de um sistema teogónico que se desdobrou através do Cristianismo e aparece integralizado no Espiritismo.

A Religião e a Ciência não podem cristalizar princípios; tanto uma como outra tem-se desdobrado, evoluído atravésdos tempos. No plano físico, a matéria radiante de William Crookes, o radium de Curie, a telegrafia de Branly e de Marconi lançaram novos fundamentos no campo da Ciência Positiva.

O Espiritismo, hoje cientificamente demonstrado e sistematizado, desvenda a história do maravilhoso humano e faz reviver seu passado enraizado nas religiões iniciáticas, cujos fundadores nos dão o valor do seu testemunho para a constatação da verdade que proclamamos.

Fonte – A Vida no Outro Mundo (Cairbar Schutel), Cap.IV

Postado por Ana Maria teodoro Massuci, em 15/06/19, na Rede Espirit Book.