D.Sebastião – rei de Portugal, o último monarca da dinastia de Avis, substituída, depois, pela dinastia de Bragança, cujo último descendente no trono brasileiro foi Pedro II – foi lutar nas Cruzadas, em 1578. Esperava-se que ele voltasse e reassumisse o poder em Portugal.Como, na verdade, ele nunca mais voltou, seus sucessores – todos, sem exceção, da dinastia de Bragança – tornaram-se apenas guardiães da coroa. Jamais a usaram na cabeça, numa figuração traduzida num símbolo que a nação portuguesa passou a entender e sobretudo respeitar. A imagem clássica de D. João VI – ao ser aclamado rei, em 1818 em Lisboa – mostra-o com a cabeça nua e a coroa ao seu lado.

            Não há dúvida de que a morte de D. Sebastião produziu o que se chama – mais apropriadamente em psicologia de massa – um trauma nacional. Trauma é palavra grega que significa ferimento do qual nunca mais – parece que fenece nos dias de hoje, com a participação de Portugal na Europa unificada – a nação se curou, tornando-se até atualmente, insuperável. Cunhou-se, então, um termo muito citado nos compêndios de história. Falo do sebastianismo, que é esperar a volta do rei para retomar a direção de Portugal e reconduzi-lo – na linha de resgate, até – à grandeza história quando teve, sobretudo na escola de Sagres e nas navegações, seu auge, seu ponto culminante em todo o seu passado.

            A história de Portugal – bem que merece um estudo mais profundo – é muito mais rica do que se pensa e que, verdadeiramente, se conhece. A história do Brasil, mesmo, começa em Portugal. Aliás, a história de Portugal é pré-requisito para conhecimento da história do Brasil.

Vicente Golfeto
golfeto@jornalacidade.com.be
Ribeirão Preto, 18/01/16

 

Nosso comentário:- Parabéns Vicente Golfeto, pela análise criteriosa que, desta vez, fez da história de Portugal, apesar de um pequeno deslize. D. Sebastião, realmente morreu na famosa batalha de Alcácer-Quibir, em Marrocos, não propriamente envolvido nas Cruzadas, mas, satisfazendo uma solicitação de um sultão que havia sido destituído do poder e solicitado ajuda ao rei de Portugal para retomar o poder. Cheio de brios, vaidade, arrogância, que pairava na nobreza portuguesa, e completamente imaturo, o jovem e desmiolado rei português incumbiu-se da espinhosa tarefa de enfrentar um exército cinco vezes superior (segundo crónicas) e, como consequência, Portugal sofreria o pior desastre da sua história, traçando um rumo nunca conjeturado, com a perda da própria independência para o seu maior rival, a coroa espanhola, durante longos e agonizantes 60 anos. Acredito que nunca mais se recompôs em todos os parâmetros da sua existência. Vejam só os desígnios da história: o pai de D. Sebastião era o herdeiro da coroa portuguesa e também da espanhola, se não tivesse morrido de uma simples queda de um cavalo. Se isso não tivesse acontecido, nunca esse playboyzinho rei (seria esse o título adequado para os dias de hoje) ocuparia o trono português; Portugal não teria sido dominado pela Espanha, e quase com plena convicção, posso afirmar que o Portugal de ontem e de hoje seria completamente diferente (para melhor, evidentemente). Esse triste episódio de uma nação, pode servir também de exemplo para a vida de qualquer cidadão, em qualquer parte do mundo. Realmente a história do Brasil está associada à de Portugal, e aconselho mais uma vez a quem quiser saber mais, para ler “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”. (Veja também o nosso site: www.olivrodosespiritos.com.br

 Alberto Maçorano