Em 2016, Ribeirão Preto vai deixar de comemorar o dia de Zumbi e dia nacional da consciência negra como feriado municipal. O motivo é a inconstitucionalidade alegada pelo ministério público, e acatada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), de tornar feriado municipal uma data não religiosa.

O que precisa ficar bem claro, com ou sem feriado, é que estamos muito atrasados quando se trata da inserção negra na sociedade. Há muito discurso e pouca atitude.

Os negros são ainda muito discriminados no mercado de trabalho em particular, e na sociedade em geral. Sabemos que isso tem origem no caldo da cultura escravagista, que vigorou, oficialmente, até 1888. É quase inacreditável que nossos negros tenham começado a tornar-se “cidadãos” há apenas 127 anos. E que luta foi essa, implacável e diária.

É incrível perceber que a sociedade brasileira manteve homens e mulheres nesta situação de ostensiva e injusta inferioridade, e só extinguiu a escravidão depois de países como Haiti, Chile, México e Cuba. Não fomos os últimos, porque países africanos, a China e a Arábia Saudita só oficializaram o fim da escravidão no sec. XX. Convenhamos: demorou muito.

E ainda temos uma longa luta pela frente…

Editorial,  jornal “A Cidade”
Ribeirão Preto, 20/11/15

Nosso comentário: o sublinhado é nosso: já dissemos em outro comentário que não é a reserva de cotas, nem a criação de dias especiais para determinadas raças, como aqui se debate, que irão contribuir para a inserção de raças na sociedade, como um todo. Por outro lado, não devemos menosprezar essa sociedade do passado, nem inferiorizá-la só por que foi mais ou menos atrasado nessa consumação ou compará-la com outros países. Havia muitos interesses económicos em causa. Além do mais isso foi fato histórico e, alguma razão haveria para que isso acontecesse. Outros povos foram escravagistas na mesma raça durante milhares de anos. Nem por isso, se debatem em comentários sem nexo. Gostaria de saber se aqueles que hoje criticam essa condição do passado se fariam o mesmo nessa época.

Não obstante, a inserção social não se faz por decretos nem imposição. Ela acontecerá naturalmente no decurso dos anos vindouros, à medida de uma maior consciência e educação. Por isso, não se fazem necessários a criação de decretos ou feriados para tal fim.

Porém, para a aquisição de melhores elucidações sobre essa ou qualquer outra circunstância, é imprescindível o conhecimento esclarecedor da doutrina espírita. Só ela nos dá o dimensionamento da realidade existencial. Daí a imperiosa necessidade de levar esse conhecimento à população estudantil, para que o futuro social seja mais harmonioso e tranquilo.

De outra maneira caminharemos para o abismo, que já estamos vivenciando.

Alberto Maçorano
www.olivrodosespiritos.com.br

Posts Relacionados