—Patrícia, — vovó me chamou — venha à sala, vou lhe dar as primeiras lições de “VOLITAÇÃO”. Fui depressa. Na sala estavam três das moradoras da casa que me incentivaram.

—É fácil! — falavam elas. —Você sabe, saía do corpo encarnada, enquanto dormia. É só firmar o pensamento e a vontade.

—VOLITAR — disse vovó como se tivesse decorado — é esvoaçar, volatear, locomover-se pelo ar pelo ato da vontade.

Vovó me pegou por um braço e D. Amélia por outro e ensinaram-me a dar o impulso. Tentamos várias vezes até que dei sozinha o impulso e levantei a um metro do chão. É mais fácil dar o impulso na vertical para depois ficar na horizontal. Fiquei parada. De novo recebi ajudas das duas que devagar me empurraram. Incentivaram-me alegres. E, realmente, não foi difícil, logo estava no meio da sala volitando devagar de um lado a outro.

—Até aprender realmente, não se distrais — vovó recomendou. — Volitar é como aprender a andar quando se está encarnada, a pedalar uma bicicleta, ou nadar. Depois que aprende a dominar, faz automaticamente.

Sabia o que era volitar, lera sobre o assunto em diversos livros Espíritas. A sensação que tinha era de voar. Realmente é muito agradável e bom volitar. Sabia também que espíritos desencarnados atravessam paredes, portas, etc. Dei um forte impulso e rumei para a parede, escutei vovó:

—Não, Patrícia, não!

Bum… Bati a cabeça na parede e caí sentada no chão. Minhas amigas correram e rodearam-me, ninguém riu. Olhei para elas e acabei rindo. Fora um tombo e tanto. Levantei e quis saber.

—Ei, vovó, por que não pude atravessar a parede?

—Patrícia, você só poderá atravessar quando souber. Você leu que
desencarnados atravessam paredes, portas, mas de construções de matéria, ou seja, casas de encarnados. Assim mesmo, os que sabem. Os que têm consciência do seu estado desencarnado e aprenderam.

—Só os bons sabem? — indaguei.

—Não, os maus sabem e se utilizam muito deste conhecimento.

Saber depende da nossa vontade, do livre-arbítrio e todos podem. Os bons sabem mais porque têm mais quem os ensina e mais interesse em aprender.

A construção da Colônia não é como a construção dos encarnados. A Colônia é uma projeção mental. Para que entenda, é feita da matéria sutil como a do nosso perispírito, como este corpo que agora estamos revestidas.

Certamente, há os que sabem atravessar esta matéria sutil, tanto os irmãos superiores como os inferiores. Embora nossos irmãos superiores, designo-os assim para que possa entender, quanto mais harmonizados com o Cosmos, maior poder mental têm. Para transpor uma barreira mental é preciso não duvidar do poder de fazê-lo. Já vi um instrutor fazer. Ele projetou uma passagem e atravessou.

Mas isto é usado somente para alguma eventualidade. Você não escutava, quando encarnada, que em Centros Espíritas para determinada ajuda irmãos desencarnados ficam confinados a um loca, até poderem ser orientados?

Em muitos Centros Espíritas junto com a construção material é também projetada esta energia mental pelos benfeitores. Assim, tanto encarnados como desencarnados só podem entrar e sair pela porta. Estas projeções também são feitas em certos lugares e por determinado tempo para evitar ataques das trevas. Atravessam só os que sabem e conseguem. Talvez, se você quiser, irá aprender no futuro.

Realmente, não tinha visto ninguém entrar na nossa casa e nem em qualquer outro local na Colônia volitando. Todos entravam e saíam tranquilamente pela porta, abrindo-a e fechando-a.

Achei graça do meu tombo e ainda acho graça quando recordo.

Anos depois, estava ensinando meu primo a volitar e lembrei do fato.

Resolvi brincar com ele.

—Vamos, Rodolfinho, venha! É isto aí! Vai!

Rumei para a parede e soltei. Segurei o riso. Pensei que, como eu, iria bater a cabeça. Mas Rodolfinho não sabia que desencarnados atravessam paredes, não viera como eu com conhecimentos do Plano Espiritual.

Ele chegou perto da parede, apalpou-a com a mão, virou a cabeça e indagou:

—Patrícia, que faço agora?

—Vira e volta — disse um pouco decepcionada.

Aprendi em poucas lições a volitar pela casa, pelo nosso jardim.

Pensava em volitar, firmava o pensamento, subia metros do chão e ia para onde queria.

Vovó me levou ao campo, ou pátio da escola, onde instrutores
ensinam a volitar. Fui toda contente.

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em 03/01/18, na Rede Espirit Book