A violência é a resposta social às injustiças económicas. Uma sociedade com a distância entre pobres e ricos cada vez maior fatalmente sofre conflitos violentos. Ainda mais quando os meios de comunicação facilitam as informações sobre o que o dinheiro proporciona.

Há 50 anos apenas os ricos conheciam o prazer das viagens, das comidas e bebidas, etc. Hoje tudo está na televisão: o mais humilde trabalhador não conhece, mas sabe que há delícias que os privilegiados desfrutam – e podem gozá-las porque são ricos.

Até 1980 a esquerda tentava convencer os excluídos que a injustiça social poderia ser solucionada pela revolução política. A ideologia era a principal arma dos pobres.

Com a globalização e a pós-verdade justificando as situações ofensivas à dignidade humana, o individualismo exacerbado pela alienação induz a crer que os “melhores” vencerão. Os tolos se julgam “melhores” e aderem ao sistema. Uns esperam vencer. Outros roubam.

Neste quadro não se convence a maioria dopada pela mídia publicitária de que a violência é fruto das desigualdades sociais. Sabe-se que 1 da população mundial detém metade da riqueza do planeta. O 1% mais rico tem mais posses do que o resto da humanidade.

Nos paraísos fiscais escondem-se 7,6 trilhões de dólares. No Brasil o dinheiro das propinas daria para reformar todo o sistema hospitalar. O que o governo brasileiro gasta em propaganda enganosa mudaria a educação e poderia criar um ensino elementar da mais alta qualidade.

Em Ribeirão Preto os bandidos mortos pela polícia e os policiais mortos pelos bandidos são reflexos dessa desigualdade. O difícil é convencer que só se supera a barbárie com a civilização.

Júlio Chiavenato
Jornal A Cidade, Ribeirão Preto, 29/06/17 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: excelente matéria que vale a pena ser difundida.

Alberto Maçorano