A medida que ela se dissipa a alma se sente na situação de um homem que acorda de um sono profundo. Suas ideias são confusas, vagas e incertas, a sua visão é como se ela estivesse num nevoeiro; pouco a pouco a visão vai-se esclarecendo, a memória se reaviva, mas isso de acordo com as situações individuais. 

Para uns, esse despertar é calmo e proporciona uma sensação deliciosa, mas para outros é bem diferente, cheio de terror e angústia, semelhante a horrível pesadelo.
O momento do derradeiro suspiro não é, pois, o mais penoso, porque em geral a alma não chega a percebê-lo. Mas antes ela sofre os efeitos da desagregação da matéria durante as convulsões da agonia, e depois as angústias da perturbação. Apressemo-nos a esclarecer que essa situação não é generalizada. A intensidade e a duração de sofrimento, como dissemos, estão na razão da afinidade existente entre o corpo e o perispírito. Quanto maior for essa afinidade, mais demorados e penosos serão os esforços do espírito para se libertar. Mas há casos em que a união é tão fraca que a libertação se realiza naturalmente, sem dificuldades. O espírito se separa do corpo como um fruto maduro que cai do ramo. É o caso das mortes tranquilas que levam a um despertar pacífico. O estado moral da alma é a causa principal que determina a maior ou menor facilidade de desprendimento. A afinidade entre o corpo e o perispírito decorre do apego do espírito à matéria.

O CÉU E O INFERNO — ALLAN KARDEC

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em 22/02/18, na Rede Espirit Book.