Temer provavelmente será absolvido hoje. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes jogou todas as fichas nesse sentido. E daí?

            Daí a crise aumenta. Safa-se o presidente, mas não se recupera a confiança no governo. O pior é que a permanência de Temer significa, menos que a derrota da moralidade, a confirmação de uma política antissocial que tira direitos dos trabalhadores e projeta um futuro sombrio para as novas gerações desempregadas ou com expectativa de “terceirizar-se” como mão de obra descartável – e no longo prazo com a aposentadoria mutilada.

            No Brasil presidentes só caem se desagradam o poder económico. Se cumprem as tarefas exigidas pelos donos de dinheiro não há Joesley que os derrube nem Rocha Loures que os complique. Claro, eles perdem a credibilidade, mas já fizeram o que deviam e saem milionários. E podem voltar, “nos braços do povo”, como Collor, Sarney, Renan Calheiros e tantos outros.

            Porém há algo mais importante; milhares de brasileiros morrem por falta de atendimento médico. A EPTV mostrou, quarta-feira, os corredores dos hospitais que servem a rede pública de saúde em Ribeirão Preto.

            Note-se, somos um centro médico de alto padrão, um dos melhores do país. Pois, aqui, doentes pobres ficam jogados pelos corredores, muitos sem direito à maca. Na vizinhança destes hospitais que mais parecem hospícios do começo do século passado, existem outros, que oferecem hotelaria de luxo a quem pode pagar. Questão de mercado, como tudo no Brasil.

            A corrupção consegue, cinicamente, desviar a atenção de problemas que matam gente, enquanto discutimos o “drama” dos ladrões que provocam a miséria social.

Júlio Chiavenato
Jornal A Cidade, Ribeirão Preto, 09/06/17 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: só você meu caro Chiavenato, consegue com a sua arguta inteligência, dignidade e competência tecer um argumento coerente perante as manobras obscuras e tenebrosas dos bastidores de um governo corrupto e desqualificado. Escancarada a realidade da superior justiça brasileira… Dois pesos e duas medidas… Quem tem a paciência de acompanhar a politicagem brasileira sabe que o excelentíssimo e digníssimo senhor Gilmar Mendes tinha outro peso e outra medida em relação a Lula e, sobretudo, ao governo Dilma. Aliás, não só ele, mas também, outrossim, o Moro e o Delagnol da vida… Só um “cego” não consegue enxergar.

            É assim que vamos passar o Brasil a limpo?

            Pobre Brasil! Até quando terá nas entranhas políticas e governamentais o fantasma da corrupção e da indignidade?…

Alberto Maçorano