Não sou coxinha, juro. Nem mortadela. Deveria? Sou apenas uma jornalista que observa, “nada más”. Claro, torço muito, geralmente pelos fracos e indefesos. E vejo, como sobre Lula, o retirante que se tornou um dos homens mais conhecidos do mundo, pode-se dizer tudo. Menos que não tem liderança e carisma.

                A reação do presidente mais popular que a república brasileira já teve, assim que expedido seu mandato de prisão pelo juiz Sérgio Moro, foi inteligente. Estratégica. Lula seguiu imediatamente para a fortaleza em torno da qual construiu toda a sua carreira política. Mobilizou a turma dele como ninguém.

                O Sindicato dos Metalúrgicos de S. Bernardo do Campo é o “bunker” de Lula. Iniciou-se lá, nesta última quinta-feira â noite, a longa vigília ao lado de lideranças políticas, seguidores, trabalhadores. O foco sai de Brasília. Todas as câmaras de Televisão e equipes de reportagem transmite ao vivo para todo o país. Atenções totais para Lula, sinalizando para todas, inclusive para a Justiça Brasileira, que o homem condenado por corrupção a 12 anos e um mês de privação da liberdade, não é um homem qualquer. É o líder que o Brasil gostaria de ter, não fosse ele, também, cooptado e triturado pelo implacável moinho do sistema político nacional, entre denúncias de petrolões. Com ele, boa parte de uma equipe, com todas as exceções honrosas.

                Por isso, para todos os brasileiros, e para mim em particular, o momento é de tristeza, e não de revanche ou comemorações às avessas. Perdemos um líder e ganhamos mais um presidiário

                Ninguém está acima da lei. Sentenças judiciais devem ser cumpridas. Mas nada disso terá importância se não acabarmos, de vez, com todos os que se banqueteiam do dinheiro furtado ao povo. Muitos, certamente ainda ocupam altos cargos.

Rosana Zaidan   
Jornal A Cidade
Ribeirão Preto, 07/04/18

Nosso comentário: parabéns Rosana Zaidan pelo seu belíssimo texto desta crónica. Muito bem desenvolvido perante a realidade do atual momento político e dramático “status quo” da sociedade brasileira. Até quando o Brasil vai aguentar esta total anarquia?

Alberto Maçorano

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