O deputado Baleia Rossi está em boas mãos. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, deve decidir o seu destino. Isto é que é cartaz: escapa de um juiz de primeira instância e cai nos braços do doutor-mor da República.

Na série de estorvos da política, Baleia foi injustiçado pela Operação Sevandija, denunciado por receber a merreca de R$ 20 mil e distribuir 100 mil aos amigos, grana provida pela Atmosfera. Trata-se de “vazamento ilegal”, portanto, espera-se que invalidem as provas contra ele.

Aliás, essas denúncias contra nossos ilibados e insuspeitos deputados conturbam a política e travam a economia. Felizmente, já começa um consenso de que a judicialização da política é uma conspiração para impor a ditadura judicial disfarçada em moralismo e impedir as reformas para acabar com os privilégios dos trabalhadores que exploram nossos empresários.

Se as classes esclarecidas não reagirem, os juízes e os promotores tomam o poder. E homens impolutos, como Baleia Rossi e outros injustamente envolvidos em processos baseados em provas ilícitas, podem ser injustamente condenados por meras ilações, como disse o presidente, aliás, muito bem relacionado com Wagner Rossi, pai de Baleia, ambos bem conhecidos em Santos.

Não se pode condenar ninguém por ilação. Felizmente, agora temos um presidente que nos esclareceu que receber bandido de madrugada não é crime – crime é fazer “ilações” derivadas de gravações da conversa reveladora da sacanagem.

Até agora, ninguém provou que nas cédulas da propina supostamente recebida havia as digitais de Baleia Rossi. Esperemos que Gilmar Mendes nos mostre que Baleia é um rapaz honrado.

Júlio Chiavenato
Jornal A Cidade, Ribeirão Preto, 05/07/17 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: só você Júlio Chiavenato, para fazer humor, tão bem engendrado, com a podridão da política brasileira. Realmente estão vindo à tona e caindo a máscara da conspurcada política deste imenso e grandioso país. Agora podemos conceber o porquê de uma pequena burguesia que tomou conta do Brasil há muitos anos, o porquê da exploração do povo brasileiro que mal sobrevive e outros vegetam, o porquê de uma educação paupérrima, o porquê da falência da saúde pública, o porquê do alastramento da marginalidade, o porquê do crescente número de dependentes químicos, o porquê do crescente número de traficantes, o porquê do sucateamento da segurança pública e de todos os porquês de todas as lacunas e misérias de uma sociedade que caminha de mãos dadas com a opulência e ostentação desavergonhada.

Basta… Basta… Basta!…

Alberto Maçorano