É tão estranha a política brasileira que o resultado, que só poderia ser o que foi, como a aprovação pelo Conselho de Ética da Câmara para cassar o deputado Eduardo Cunha, é uma surpresa.

Ele mentiu, tem contas ilegais no exterior, atrapalhou investigações do Ministério Público. No entanto, até momentos antes da aprovação para cassá-lo, esperava-se que ele fosse absolvido. Deu “errado” e os deputados, alguns tão corruptos quanto ele, “acertaram”.

                Não bastou a comprovação da traficância e corrupção, foi preciso a pressão popular para que os deputados fizessem o óbvio. Nem por isso merecem elogios: só condenaram Cunha para não serem repudiados pelos seus eleitores.

                Resta ao plenário da Câmara confirmar a cassação definitiva. Mas Cunha ainda pode recorrer à Comissão de Constituição e Justiça. Se perder, os seus colegas votam e ele pode ser cassado. Então, o caminho mais provável será o julgamento como cidadão comum.

                Como foi possível o Brasil ficar refém de um mentiroso corrupto durante meses, enquanto se discutia o impeachment? Ele traiu ambos os lados e, no entremeio, descobriram-se mais negociatas, incluindo as peripécias de sua mulher. Eis o homem que decidiu a política brasileira.

                As forças dominantes usaram-no de todas as formas, pelo bem e pelo mal, deram-lhe sobrevida, dinheiro e, quando já tinham feito o trabalho sujo, abandonaram-no a um bando de facínoras políticos tão venais quanto ele. Não há o que comemorar, antes lastimar que essa figura foi peça chave no processo do impeachment e “respeitado” pelos que se indignaram com a corrupção “dos outros”.

Júlio Chiavenato 
Ribeirão Preto, 15/06/16 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: tiro o chapéu mais uma vez, e tantas quantas forem necessárias, pelo seu elevado bom senso e discernimento, dignidade, isenção e ética profissional. Em poucas palavras fez o resumo fiel da panorâmica política da atualidade brasileira, que, infelizmente, na sua trajetória existencial,  em diferentes nuances, tem acompanhado sempre a administração política e administrativa do Brasil.

                Não obstante, esse crápula, que outro nome mão poderá ter, não agiu por livre e espontânea vontade. Foi acobertado por outras forças mais poderosas do que ele, para que a sua vontade escabrosa se materializasse. Esses são mais covardes do que ele

                Porém, não gostaria de estar na pele desses vândalos, que pagarão em outras vidas, ou até mesmo nas atuais, todas as maldades feitas ou, apenas pensadas. Ainda não sabem que nada escapa nos registros espirituais onde tudo fica arquivado, pagando e respondendo centavo por centavo.

                Escusado mais palavras para demonstrar a tenebrosa realidade política brasileira.

                Deus tenha piedade das suas “almas”.

 

Alberto Maçorano

 

 

 

 

 

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