No Brasil há lei para tudo. Leis nem sempre legais. Às vezes indecentes, como a “prerrogativa” usada pelo presidente de plantão da Câmara Federal, para conturbar um processo sacramentado, votado e até aceito pelos prejudicados. Depois da lembrança, ele revogou sua revogação do impeachment.

                Se começarmos pelo princípio, veremos que há artimanhas legais que garantem privilégios aos gatunos para exercerem a gatunagem. É o caso de Eduardo Cunha, com mandato suspenso depois de abusar de ilegalidades e falcatruas; além disso, é réu em vários processos e dono de contas não declaradas no exterior. Agora, aparece outro “do ramo”, Waldir Maranhão, desconhecido fora dos conchavos e do seu curral eleitoral.

                Nem é preciso dizer que os moralistas de hoje são os fraudadores de ontem, como Renan Calheiros, que agarra a bandeira da moralidade para defender o Senado da jogada do presidente interino da Câmara. Não menos importante, a própria presidência da República, que se vale de malandros e suas malandragens para manter um poder que já não tem. E não tem porque cometeu inúmeras irregularidades e, ironicamente, foi punida com várias ilegalidades. É o Brasil, onde um criminoso julga o outro e todos se equiparam no aproveitamento das “brechas da lei”, que outra coisa não é do que o desavergonhado uso das rasteiras da politicanalha, praticadas por todos. Como sair desse círculo vicioso?

                É praticamente impossível, pois ele é resultado do sistema que escolhemos e consagramos nas urnas. Eleitos, os corruptos dominam a cena e tanto a oposição como a situação se equivalem na falta da ética.

Júlio Chiavenato 
Ribeirão Preto, 11/05/16 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: com falta de tempo útil para elaborar o nosso comentário, mas sempre com a oportunidade que os fatos justificam. Tiro o chapéu para vc, caro Chiavenato, porque, poucos jornalistas constatam com isenção, a autenticidade da politicanalha brasileira. Chegou-se ao fundo do poço político e administrativo deste imenso celeiro do futuro, apesar das nefastas turbulências. Acredito que aparecerá uma “mão de ferro” tal como Deodoro da Fonseca ou Floriano Peixoto, que possa dar um rumo sério e íntegro à “nau brasileira” completamente à deriva. Não que seja favorável a qualquer conjuntura ditatorial. Mas, respondendo à sua indagação: como sair deste círculo vicioso?

                Acho ser a única solução temporária deste Brasil em UTI. Para ser passado completamente a limpo, só com o expurgo de todos os políticos e governantes, de norte a sul, de este a oeste. Admissão de novos quadros de gente completamente ilibada de quaisquer máculas que possam contemplar uma ficha suja. Qualquer indício de suspeita “à posteriori”, seja causa de suspensão imediata de funções. Acabar com essa história do “fórum privilegiado”. Isso só serve para encobrir situações obscuras, contrariando a transparência de qualquer executivo, além da redução de 50% dos salários atuais e de todas as mordomias, principalmente o usufruto de viagens aéreas e moradia. Nem nos Estados Unidos, o foco do capitalismo mundial isso acontece. É preciso criar vergonha e ter mais respeito pela pobreza e miséria de quem realmente trabalha neste país. Quer dizer, a dinheirama ao final do mês, é só para a extravagância ou poupança, já que têm praticamente tudo pago pelo dinheiro do povo brasileiro. E depois vem a malandragem com toda essa algazarra de panelaços e TRIPLEXES da vida. E os triplexes dessa camarilha?

 

Alberto Maçorano
www.olivrodosespiritos.com.br