No mundo, quase um milhão de pessoas cometem suicídio anualmente. Mentes de jovens e adultos engolidas por um turbilhão de sentimentos que as levam à ideia infeliz de matarem suas agonias aniquilando o próprio corpo. Enganam-se profundamente ao julgarem o cérebro a sede dos pensamentos que os atormentam, ou então a menos pior das alternativas de uma situação desesperadora. Tomam uma opção que não lhes cabia e dão início a um martírio maior, de conseqüências muito mais dramáticas. 

A Doutrina Espírita conhece muito especialmente os efeitos de um desencarne em tais circunstâncias, cujos relatos são abundantes e estarrecedores. Memórias de um Suicida, de Yvone Pereira, é leitura obrigatória para quem deseja prevenir-se contra tais idéias. Em todos os casos, os depoimentos nos conduzem a uma conclusão invariável: cometer suicídio só agrava as dores e aprofunda as perdas. 

Naturalmente, o Mundo Espiritual tem buscado sensibilizar o homem sobre o desatino de optar pela anulação da vida. O Movimento Espírita, em especial, tem percebido o esforço da Espiritualidade nesse sentido e enfatizado o assunto nas palestras públicas nos centros espíritas. O esforço centra-se no combate aos quadros depressivos, cujo agravamento conduz, em sua situação mais extrema, ao suicídio. 

Seja por medo da morte, do desconhecido, por instinto de conservação, ou ainda porque pressentem uma vida pós-morte, a maioria dos depressivos prefere uma modalidade especial de suicídio: o inconsciente. A palavra é ainda imprecisa, uma vez que o suicida inconsciente tem noção do que faz, mas não faz questão de atinar-se para as implicações morais de suas ações. Drogam-se, excedem-se nos venenos lícitos, corroem-se em idéias rancorosas, abusam dos prazeres materiais; fazem isso e se espantam quando, mais tarde desencarnados, são acusados de suicidas. A história do Espírito André Luiz exemplifica essa triste trajetória. 

No centro de toda a tragédia depressiva, uma insatisfação tão profunda quanto a distância entre o homem e sua natureza primordial. Envolvido pelas ilusões do mundo, tão absorvido pelas preocupações e dificuldades materiais, o homem se perde de si mesmo. Não se satisfaz com o essencial para sua vida física, porque o espírito está hipnotizado por idéias de ter e poder. No cerne desta busca infantil, a necessidade de o homem ser amado. Nada de errado com tal desejo; equivocada é a estratégia.

Jovens, em especial, tragados pela histeria do ter, pelo vazio que uma vida de facilidades proporciona, entregam-se a uma rotina de sucessivas frustrações, porque ora não conseguem ter o que querem, ora não extraem do que têm a satisfação que só uma existência fundamentada em valores eternos pode oferecer. 

Saídas 

Sendo a depressão o mal do século e o suicídio o desfecho trágico de muitos casos, a humanidade precisa urgentemente difundir terapias preventivas. O Espiritismo, que se dissemina mundo afora por caminhos outros que o do próprio Movimento Espírita, tem se convertido numa poderosa força de valorização da vida. Primeiro, porque exibe o percurso doloroso da alma que opta pela morte voluntária. Segundo, porque enfatiza o aspecto imortal do ser humano, a multiplicidade de suas existências e do propósito de toda dor e ranger de dentes. E, por fim, assinala o destino inevitável de todo espírito: a felicidade. 

O Espiritismo vacina a alma contra tendências suicidas, mas a verdade é que, como sempre lembra Olenyr Teixeira, nem todos que chegam até o Espiritismo permitem que o Espiritismo chegue até eles. A Doutrina Espírita “salvará” a humanidade quando a humanidade desejá-lo. As mortes antecipadas de milhões de pessoas mundo afora são sintoma claro de que o mundo material não encerra em si a razão da existência humana. São, na verdade, a ponta de um iceberg, um número que exterioriza a angústia que adoece muitos outros milhões de almas, ainda presas à sua visão limitada da vida. 

Dez conselhos para evitar a depressão:
1. Não reclame demais: a reclamação só serve para tranqüilizar o derrotado, o infeliz e o acomodado, transferindo responsabilidades. É um vício que acinzenta os dias.

2. Não espere muito dos outros: não tenha a expectativa de que alguém nasceu nesta vida para fazê-lo feliz. É uma tarefa pessoal e intransferível.

3. Evite decisões nos primeiros 30 segundos depois de uma situação tensa: são nesses momentos que cometemos os piores erros da vida.

4. Encontre grandeza na sua pequenez: você também tem talentos e virtudes. Ver apenas defeitos é sintoma de miopia espiritual.

5. Tome as decisões que julgue necessárias: sem disciplina, perdemos as rédeas da vida. Não seja escravo da preguiça e da irresponsabilidade.

6. Alimente a esperança: a vida que temos é uma resposta ao que somos. Irradiar pensamentos otimistas altera a qualidade dos dias.

7. Não seja controlado pelo fracasso: trabalhe. Para um espírito perdulário numa existência passada, resignar-se com uma vida de privações é o que pode fazê-lo um vitorioso na encarnação atual.

8. Olhe-se com os próprios olhos: quem não se conhece, fica entregue ao julgamento alheio e, portanto, sua auto-estima irá sofrer a cada olhar censurador e depreciativo.

9. Lembre-se da força da oração: Deus concentra toda a razão de nossa existência e estar em unidade com ele resgata o sentido de nossa vida.

10. Pergunte-se diariamente sobre o que é a felicidade: lembre que a única forma de ser feliz é garantir permanente paz de espírito.

Jornalista Luiz Garcia

 

Publicado originalmente no jornal Espaço Espírita, de Barra Velha, Santa Catarina
Site www.cejn.org.br
Postado por Nilza Garcia, em 30/04/16, na rede Espirit Book.

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