Antes de falar da regressão propriamente dita, vamos começar falando da recordação a vidas passadas de uma forma mais genérica, aprofundando em suas várias facetas. É bem sabido que a recordação a vidas passadas não ocorre apenas durante as sessões regressivas em estados alterados de consciência. A recordação de vidas passadas é um fenômeno universal e sempre esteve presente em muitas culturas e épocas distintas.

Há uma série bem numerosa de situações e condições nas quais uma pessoa pode ter acesso ao seu arquivo multimilenar. Um dos pesquisadores que estudou as várias facetas das recordações de vidas passadas foi o pesquisador espírita brasileiro Hernani Guimarães Andrade. Hernani era um investigador nato, e mergulhou com eficácia casos de crianças que eram sugestivos de reencarnação. Foi o coordenador da tradução da obra “Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação” de Ian Stevenson para língua portuguesa. Sua vasta obra abraça muitos temas, como reencarnação, fenômenos paranormais e mediúnicos, morte, obsessão espiritual, perispírito, a transcomunicação instrumental, dentre outros. Os tópicos abaixo estão inspirados na classificação que ele elaborou sobre as diversas formas de recordação de vidas passadas. Vamos então descrever resumidamente as principais formas em que essa recordação pode acontecer:
As recordações de vidas passadas se dividem em duas categorias gerais:

Recordação em crianças e recordação em adultos.
1) Recordação em crianças
Esse tipo de recordação é muito comum, e assim como outros tipos de recordação, ela é frequentemente confundida com a fantasia infantil. A recordação em crianças será comentada com mais detalhes no último capítulo deste livro. Para tanto, o leitor pode se reportar ao capítulo XXVI desta obra.
2) Recordação em adultos
As recordações em adultos compreendem toda a gama de experiências que são descritas nas linhas que seguem. Sua fenomenologia é numerosa, abrangente, universal e diversificada. Ela ocorre sob múltiplas formas, condições e contextos diferenciados.

Recordações iniciadas na infância e que persistiram até a fase adulta
Algumas recordações de vidas passadas que se iniciaram na infância podem persistir, total ou parcialmente, com o passar dos anos. Algumas pessoas que tiveram essas lembranças em tenra idade podem, em alguns casos, manter essa memória até a fase adulta. Embora casos como esse sejam mais raros, há indivíduos cuja memória das vidas passadas se prolonga até a fase adulta. Mas na maioria das vezes, crianças com essas reminiscências acabam passando dos sete anos de idade e esquecem completamente de sua vida passada. Logo que a criança começa a falar, aos 2 anos de idade, ela pode já começar a falar de sua vida passada. A maior porcentagem destes relatos ocorre entre a idade de 2 a 4 anos. Na maioria dos casos, as crianças lembram sua última vida, e alguns parentes e pessoas próximas podem fazer parte dessas lembranças.

Recordação pelos Sonhos
A recordação pelos sonhos é uma das formas mais comuns de lembranças de vidas passadas. Falaremos com mais detalhes a esse respeito no tópico sobre os sonhos, neste mesmo Tratado, mas podemos adiantar o básico para o leitor já ter uma visão geral do tema. Na maioria das vezes, um sonho revela uma memória de vidas passadas quando:

Evocam forte conteúdo emocional.
Seguem uma sequência lógica e coerente de acontecimen­tos.
Na maioria das vezes, repetem-se com freqüência e sem­pre possuem o mesmo início, meio e fim, sem que tenha­mos poder de modificar sua trama.
São dotados de muito realismo, como se estivéssemos revi­vendo algo que de fato ocorreu.
Identificamos pessoas do sonho (que se apresentam com outra aparência) com pessoas de nossa convivência atual.
Apresenta alguns elementos antigos, como roupas de época, cenários, residências, objetos, tudo aparentando ser tal como era em épocas pretéritas.
Os sonhos com vidas passadas são mais comuns do que a maioria das pessoas pensa. Pelas nossas pesquisas, podemos dizer que a maior parte da população mundial já teve, em algum momento de sua vida, um sonho de vidas passadas. Porém, a maioria encara essa experiência como apenas uma fantasia, um devaneio, um conglomerado de reminiscências atuais que são organizadas por fatores ocultos do nosso inconsciente. Se cada pessoa prestasse mais atenção em seus sonhos, seria possível descobrir alguns dos nossos mistérios íntimos. A observação sistemática dos sonhos deveria ser um pré-requisito para todos aqueles interessados em seu autoconhecimento.
Vejamos um exemplo de caso de sonho sugestivo de vidas passadas de uma pessoa que me procurou recentemente: “Sou psicoterapeuta, com formação bem ortodoxa. No entanto, tenho sonhos claros e recorrentes, onde tenho uma linda esposa, numa casa num bosque ao lado de uma montanha onde existe um túnel de onde sai sempre um trem. Sempre que tenho esses sonhos, acordo extremamente feliz, uma felicidade imensa, mas com muita saudade da mulher do sonho. Não considero essas lembranças como causas de problemas que posso ter, mas sim um momento único de vivenciar a felicidade suprema. O local é super claro pra mim, a casa, a mobília, tudo.”

Recordações por visões sem causa aparente
Algumas recordações de vidas passadas vêm à tona por motivos desconhecidos. Aparentemente não há qualquer fator desencadeante que tenha dado origem a súbita emergência de visões e sensações. Dizemos “aparentemente”, pois é possível que haja algum fato ativador desconhecido atuando e trazendo à consciência um conteúdo originário de um passado remoto. De qualquer forma, alguns casos de lembranças parecem surgir sem causa definida, algumas vezes após um relaxamento profundo, um devaneio, ou quando a pessoa está “sonhando acordada” e mergulhada em seu universo interior. Por vezes, a total ausência do foco de nossa mente, quando tudo parece fluir com perfeição e estamos libertos de preocupações dos afazeres diários parecem abrir caminho para nítidas lembranças do passado.

(HUGO LAPA) é psicólogo, terapeuta de vidas passadas, hipnoterapeuta, ufólogo e escritor.
Atendimento com Terapia de Vidas Passadas em todo o Brasil.
http://hugolapa.wordpress.com/

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em 07/06/17, na Rede Espirit Book