Na visão espiritualista, o casamento, na maioria dos casos, é compromisso selado no mundo espiritual, por escolha, assentimento aos ditames cármicos, ou por determinação de Espíritos Superiores antes da encarnação do casal, mas que, em muitos casos, é preferível ser interrompido – não rompido – aqui na Terra. Isso, porém, não significa “uma atitude de complacência ou de estímulo à separação dos casais em dificuldades”.

Conflitos entre os pais afetam profundamente os filhos, desencadeando muitos males que contaminam a todos dentro do lar e prejudicando a concretização dos projetos espirituais estabelecidos para a família. Influências funestas e maus exemplos do casal são, em geral, causas de transtornos psíquicos, morais e espirituais dos filhos, especialmente daqueles que lhes estão vinculados por processos cármicos mais difíceis.

Quando viver lado-a-lado torna-se perigoso para a família, em razão de ódios, conflitos e possibilidades de tragédias, a separação ou o divórcio deve ser tomado como um “dar um tempo” para a recuperação de forças e preparação para a retomada do compromisso em algum momento no futuro encarnatório. 

Pois, ninguém foge ou suborna a lei divina, que coloca todos os homens em processo de retificação espiritual pela inexorável lei de causa e efeito, sob a qual, mais cedo ou mais tarde, a Providência reaproxima adversários, especialmente em se tratando de algozes ou vítimas inconformadas.

“A separação e o divórcio constituem, assim, atitudes que não devem ser assumidas antes de profunda análise e demorada meditação que nos levem à plena consciência das responsabilidades envolvidas.”Por essa razão, antes de se tomar qualquer decisão a respeito, é imprescindível “atentar para todos os aspectos da questão” – dores morais de todos os envolvidos e todos os demais problemas decorrentes –, de modo a “não ceder precipitadamente ao primeiro impulso passional, ou solicitação do comodismo ou do egoísmo”.

A liberdade proporcionada pelo divórcio possibilita, sim, uniões mais felizes com outros parceiros, pois, sob um clima mais tranquilo os divorciados podem desenvolver virtudes que não fizeram desabrochar no ambiente hostil do relacionamento anterior. Portanto, até que o compromisso espiritual rompido seja retomado em outra encarnação, o aprendizado que se adquire junto a outro cônjuge ou a outra família equilibrada torna-se fator importante, pois certamente irá contribuir para melhor relacionamento do casal divorciado e facilitar, futuramente, a conclusão do compromisso pendente.

Entretanto, essa mesma liberdade pode levar a uniões tão ou mais infelizes que antes, pois, “Dificuldades de relacionamento são mesmo de esperar-se na maioria das uniões que se processam em nosso mundo ainda imperfeito.”

Lembremos que a família tem por objetivo reunir, pelos laços consanguíneos, espíritos amigos ou inimigos. É no seio do lar que os amigos fortalecem seus laços afetivos e os adversários amenizam os rancores e desentendimentos do passado.

A atenção, o carinho, os pequenos ou grandes favores, as trocas mútuas, tudo contribui para que os adversários se reconciliem e desenvolvam entre si, mais facilmente, o respeito e a fraternidade.

Apesar de todos os conflitos ou situações infelizes que possam existir, a vida em família, aqui no plano terreno, pode, no mínimo, significar uma “trégua” nas lutas odiosas entre adversários.

Por isso, e por muitas outras boas razões, quem vive conflitos no lar deve apelar para todas as forças do coração, buscando exercitar-se na paciência, tolerância, perdão, renúncia, solidariedade e cooperação, ao máximo de sua capacidade, de modo a atender ao sábio ensinamento de Jesus:

– “Reconcilia-te com teu adversário enquanto estás a caminho com ele.”

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em 25/04/17, na Rede Espirit Book