No Brasil é possível, e até esperado, João Alberto Souza ser o presidente do Conselho de Ética do Senado. Mais: é previsível que ele faça o que fez, pois está lá para proteger os corruptos.

Ele arquivou a representação contra Aécio Neves, flagrado a pedir 2 milhões de reais a Joesley, com a desculpa de que houve uma armação contra o senador mineiro, já denunciado por diversas falcatruas. Assim, o ex-governador envolvido em desvio de verbas e propinas, obteve o aval da Comissão de Ética para não perder o mandato.

Não é a primeira vez que João Alberto recheia a pizza da imoralidade. Ele tem uma longa história de cumplicidade com José Sarney, Romero Jucá, Renan Calheiros e o hoje quase esquecido governador do Maranhão, Epitácio Cafeteira.

Truculento e manhoso, em 1990 assumiu o governo maranhense no lugar de Cafeteira, de forma ilegal, pois havia renunciado ao cargo para se candidatar a senador. Ameaçado de não tomar posse, entrou na sede do governo com um revólver e comandando uma tropa que o garantiu no poder.

Destacou-se pela Operação Tigre, espécie de esquadrão da morte contra o crime organizado, que deixou mais de trezentos mortos – a maioria, porém, de pedintes e posseiros. Ele fez uma “limpa” que garantiu o domínio das oligarquias e consolidou a política de Sarney no estado. Com esse passado e a aliança com o que há de mais retrógrado na direita brasileira, está no Senado justamente para ser usado no serviço sujo. É um dos articuladores da sabotagem política contra a Operação Lava Jato.

O Brasil sequer disfarça: escolhe os lixeiros mais adequados para esconder a sujeira debaixo do tapete. Mas nem eles conseguem aliviar o fedor.

Júlio Chiavenato
Jornal A Cidade, Ribeirão Preto, 27/06/17 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: obrigado Júlio Chiavenato por nos dar a conhecer detalhes da podridão dos bastidores da política brasileira. Ainda criticam alguns a condição de inferioridade com que o Brasil é visto lá fora. Acham ruim outros, por não ser levado a sério por alguns países estrangeiros.

A pergunta que não pode deixar de ser feita: foi para termos um governo de corrupção generalizada a começar pelo presidente, que foi feita uma das maiores arruaças no Brasil, através das manifestações mais escabrosas, dando sequência e voz a um dos maiores corruptos brasileiros – Aécio Neves – simplesmente por ter perdido as eleições? Foi para isso que os desocupados mauricinhos provocaram as insinuações mais escabrosas na internet detonando o PT, Lula e Dilma? Foi para isso que se criou uma “onda” generalizada de indignação e revolta contra uma presidenta legalmente eleita, simulando um pretexto ilegal para o impeachment de uma mulher séria e honesta? E sabem quem esteve na origem de uma das maiores crises brasileiros de todos os tempos? Ele mesmo, um dos maiores corruptos do Brasil, o senhor Aécio Neves, que obstruiu ostensivamente o governo desde o minuto em que foi declarada a sua derrota nas urnas presidenciais. E logo todos os inconformados, desocupados, mauricinhos e patricinhas se movimentaram para engrossar cada vez mais a turma da obstrução governamental até às últimas consequências, levando ao “golpe” mais bem engendrado para a destituição de Dilma Rousseff.

Não obstante, virou-se o “feitiço” contra o “feiticeiro”, em vez de enquadrarem o senhor Aécio, com razões de sobra para tanto, (com padrinhos soberanos, como Gilmar Mendes), o senhor Sérgio Moro e companhia ocupam o precioso tempo dos seus trabalhos pagos a peso de ouro pelo erário público, procurando, como agulha em palheiro, um motivo apenas para enjaular o Lula. Como ainda não conseguiram, e com tantos problemas sérios no Brasil para serem resolvidos, insistem em “divertirem-se” com um simples tríplex e um sítio, insinuando ser propriedade de Lula, sem qualquer documento que o comprove e como se isso fosse resolver os grandes problemas nacionais, e com todos os gângsteres à solta.

                Foi efetivamente para isso que se desencadeou toda uma avalanche de insinuações e represálias contra uma inocente presidente, seu partido e, por tabela, o ex-presidente Lula, apesar de não ter sido muito prudente nos seus governos?

                “Ser ou não ser”, eis a questão, como dizia William Shakespeare!

Alberto Maçorano