Os adversários de Lula acusam-no de desrespeitar a justiça. Não se entregando ele optou pela “resistência”. Porém, teve o cuidado de não incendiar a militância.

                O dever de cumprir o mandato de prisão é da Polícia Federal.  Lula usou o direito de não se apresentar para uma prisão com a qual não concorda. Isto vale para todos os cidadãos. Assim como o julgamento e condenação têm reflexos políticos, a recusa de Lula se oferecer aos carcereiros é uma resposta política. A única força do ex-presidente nessa situação é a decisão que projeta sua sobrevivência política em um futuro incerto.

                Depois de acalmadas as tensões, o que sobra? O esperado: na cadeia ou fora, o principal protagonista da próxima eleição continua sendo Lula. Com voz ou sem, com declarações pré-gravadas ou manifestações permitidas, o ex-presidente deve influir decisivamente na campanha.

Isto significa que a polarização pode aumentar. Da mesma forma como prender Lula e um bando de corruptos não acaba com a corrupção, o afastamento do mais popular político brasileiro da disputa eleitoral não pacifica a disputa. Pelo contrário, pode complicar mais, com alianças impensáveis e manobras perigosas.

                As elites económicas, políticas, jurídicas e similares não conseguiram uma saída que os livrassem do “sapo barbudo” Desde o início era isto o que lhes importava: acabar com Lula e o PT. Fizeram o serviço pela metade e, agora, não se sabe o que a metade sobrevivente fará.

                Deixando as peripécias de ontem, o conjunto da obra é de (ir)responsabilidade dos mandões da República: ministros indecisos e comprometidos, um juiz precipitado, promotores justiceiros e o sistema político propenso ao tumulto.

Júlio Chiavenato
Jornal A Cidade, Ribeirão Preto, 07/04/18
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: infelizmente é a realidade que se nos apresenta, tão bem documentada por esse ilustre jornalista, como poucos ainda vigoram na mídia brasileira, e que vem ao encontro das nossas ideias. Parabéns Júlio Chiavenato. Até quando irá prevalecer o caos social e político que assola esta grandiosa nação?

Alberto Maçorano

 

 

 

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