Os vereadores serão eleitos pelos critérios de sempre, com a agravante: o encurtamento da campanha e as limitações na televisão.
Fica mais fácil a reeleição, perpetuando os vícios que fazem das câmaras um mercado político. Assim tem sido e tudo indica que continuará. Saem na frente os candidatos que têm base disponível. Eles terão mais facilidade para chegar aos eleitores.

                Adivinhem quem são? Os evangélicos. Várias denominações perceberam a chance e se mobilizam para lançar grande número de candidatos. Alguns para as prefeituras de cidades importantes. Eles contam com a organização das igrejas, a influência dos pastores e o oportunismo dos partidos, especialmente os nanicos. Mas os grandes também estão de olho nesses prováveis futuros dirigentes do Brasil.

                Em um país onde as mudanças quase sempre pioram o ambiente político, o aumento da influência religiosa na vida pública é uma ameaça à democracia. Vivemos o paradoxo nem tão paradoxal; em nome da democracia estimulam-se candidaturas nada democráticas, que chegam com a Bíblia na mão e ideias teocráticas na cabeça. Mas, como todos usam panos quentes, fingem que não há nenhum perigo dessa gente nos enfiar um “Âmen, Jesus”, goela abaixo.

                Se não tivermos coragem para denunciar essa situação, que produz tipos que demonizam as minorias, estaremos ameaçados de perder direitos republicanos e ver a sociedade “regrada” pelo fanatismo de espertalhões que se valem da alienação política. Inclusive, com a ameaça à liberdade religiosa, que é uma conquista republicana.

                Botemos o dedo na ferida ou sofremos as consequências.

Júlio Chiavenato
Ribeirão Preto, 08/08/16
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: como não tenho tempo de comentar as suas crónicas mais interessantes, no meu ponto de vista, todos os dias, vou guardando no computador, até que surja o tempo disponível para o efeito, e, às vezes, como neste caso concreto vem a calhar, por imbuída dos mesmos princípios, a cassação desse “vampiro” do sangue do povo brasileiro que se chama: Eduardo Cunha.

Pois é, concordo em género, número e grau, com os seus pressupostos. Realmente, pode estar em perigo a liberdade religiosa, como conquista republicana como diz na sua crónica. Todavia, reservo-me o direito de discordar parcialmente com o seu argumento. De fato, existe uma liberdade religiosa, mas não uma responsabilidade religiosa. Não entendo como liberdade religiosa se não houver a respectiva prática. Infelizmente, quando não existe uma “obrigatoriedade”, não existe o respectivo cumprimento. Então não adianta enfatizar essa “liberdade”, se os pais não orientarem os seus filhos nessa prática salutar, sequer eles próprios praticam, salvando-se as exceções, evidentemente. Assim como a programação escolar não promove, não prioriza, sequer se preocupa com essa “lacuna escolar”, que deveria inserir também esse estudo, dentro de um amplo consenso que não provoque constrangimentos. Assim, a sociedade, como um todo, cresce e desenvolve-se alheia a essa ausência, sem um foco, sem quaisquer princípios religiosos, sem um norteamento, qualquer que seja. Os resultados não necessitam ser comentados, pelo descalabro social a que chegamos.

Todavia, quero salientar que, além do que foi falado anteriormente, entendo que a filosofia espírita, como fundamento existencialista do homem, sem conexão religiosa, deveria ser estudada nas escolas, porque insere o estudo científico da existência humana. Entendo que o conhecimento dessa matéria, com alguma profundidade, iria ter um valioso contributo para o bem-estar de todos, atenuando ou eliminando na íntegra toda a sorte de atropelos ou desajustes humanos, diminuindo drasticamente a violência e a marginalidade, pois, a pessoa em posse do que lhe advirá após a prática de um qualquer crime, pensará mil vezes antes de cometê-lo.  É aqui que reside o “calcanhar de Aquiles” da sociedade em que nos inserimos. Não admitir nem estudar essa realidade, defendendo, ao invés, uma sociedade fictícia, utópica, do faz de conta, agindo e reprimindo violentamente, provocando uma reação sempre crescente do lado oposto, como já dissemos variadíssimas vezes. Assim, não dá! Não é verdade? Não sairemos nunca do pequeno círculo entediado em que vive a sociedade contemporânea.   

Alberto Maçorano