“Bem-aventurados os pobres de espírito”, que são:

Aqueles que se empobrecem de orgulho,

Adotando a humildade.

Quantos se deslindam das paixões amesquinhantes,

Satisfazendo-se com o bem.

Todos que se esvaziam do eu arbitrário,

Em favor dos direitos dos seus irmãos.

Os homens que deixam as coisas vãs

Sem abdicarem da honra.

As criaturas que cedem nas disputas inúteis,

Perdendo bens transitórios,

A fim de não se indisporem com ninguém.

Esses “pobres de espírito” assim o fazem e

“Deles é o reino dos Céus”

*

Os homens de espírito pobre acumulam

A avareza nos cofres da usura,

E arruínam o seu próximo,

Em verdade a si mesmos prejudicando.

Quando dão algo, permutam-no com interesse imediato;

Se amam, exigem retribuição;

Porque possuem, sempre pensam comprar tudo,

Em razão de não acreditarem na pureza dos corações,

Ansiosos e inquietos como vivem.

São espíritos assinalados por imensa pobreza.

Suas posses geram discórdias, inveja, ódio e divisão.

Ganham na Terra e logo se perdem,

Tudo deixando na insânia que os desarvora.

*

Alguns não têm haveres,

Mas disputam os largos tratos de terra do orgulho,

Do egoísmo, da malquerença,

Tornando-se ricos de mágoa, vilania e agressividade.

Fazem-se ricos de mesquinhez e pobres de esperança.

*

Todo aquele que ama se enriquece de paz,

Empobrecendo-se de posses materiais.

*

“Bem aventurados os pobres de espírito…”

Joanna de Ângelis