É hora de uma análise mais séria do processo de impeachment. O núcleo do problema são os empresários que se locupletaram com a corrupção política. Os partidos e os políticos passam, mas os donos do poder económico permanecem. Quem garante que os corruptores de ontem não corromperão amanhã? As promessas de respeito à lei, feitas pela Odebrecht, podem ser levadas a sério? Se podem, vamos crer também em Papai Noel e nas juras de honestidade do PT.

                As empreiteiras prometem devolver parte do que furtaram. É mais do que a soma dos salários dos seus empregados pela vida inteira. Porém, enquanto distribuíam milhões em subornos, lesavam direitos trabalhistas que são uma parcela mínima do que os empreiteiros desviaram para suas contas secretas, cujos locais ainda não sabemos.

                Há dois modos de ver. Os empreiteiros dizem que não fizeram nada diferente do usual. Essa é a maneira absorvida pela classe média: ninguém bate panelas na porta da FIESP contra a corrupção destes associados. Com a FIESP, os grandes empresários financiaram as manifestações para jogar no lixo o limão espremido: o PT.

                Porém, analisando os fatos pela raiz, percebe-se que o julgamento oficial da corrupção é construído de acordo com os costumes dominantes, descartando os fatos que lhes dão origem: a prática tacitamente aceita pela sociedade, de uma estrutura que assalta o Estado para enriquecer. Os mais fortes (capitalismo) são reabsorvidos pelo sistema; os descartáveis (políticos) são expelidos como “imorais”.

                Assim, o sistema preserva a mesma estrutura permissiva e sem ética. Mas, “repaginada”

Júlio Chiavenato 
Ribeirão Preto, 17/05/16 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: e o filão da corrupção continua dando oportunidade em ser analisado por todos os ângulos possíveis e imaginários, menos pela virtude da integridade moral. Tiro o chapéu para o senhor Chiavenato pela facilidade em comentar de vários ângulos o antro da podridão que impera no mundo político e administrativo deste imenso país, talvez desde que se conhece como tal. É incrível como um percentual significativo da população traz no seu DNA o “mantra” da corrupção. Talvez, apenas isso, não fosse tão indecoroso, tão aviltante, quanto o fato de se pretender inventar um “crime” inexistente (pedaladas fiscais), para concretizar uma maldade, uma afronta, para destituir a qualquer preço a presidente democraticamente eleita. Infelizmente, não sabem ainda esses “gângsters” que quando desencarnarem, ou mesmo, ainda nesta vida, pagarão, centavo por centavo, todas as tropelias e “pedaladas espirituais”, podendo até reencarnarem ou virem a ser simples indigentes, etc., etc.; é esse conhecimento espiritualista e existencial que deveria ser amplamente difundido pela população, como alternativa a uma mudança radical dos pressupostos existenciais. Enquanto isso não acontecer, estaremos “malhando em ferro frio”. Jamais sairemos do redemoinho de violência em que nos encontramos…

 

Alberto Maçorano

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