Por que a reforma trabalhista não levou ninguém às ruas? Por que os sindicatos ficaram mudos? Por que a classe média não bateu panela?
As respostas são mais importantes para o futuro político do Brasil, e sua ressonância social, do que as novas leis trabalhistas – que podem ser mudadas por um governo de vergonha na cara e respeito aos trabalhadores.Por exemplo, a permissão para as grávidas trabalharem em lugar insalubres e mães amamentarem seus filhos em ambientes nocivos à saúde não incomoda a classe média. A maioria das mulheres da classe média trabalha em escritórios e espaços burocráticos. Não enfrentam as faxinas, nem o chão e o ar poluído das fábricas. Portanto, não é com elas.

Os sindicatos conchavam com Temer e o patronato as compensações que os pelegos sempre tiveram. E os trabalhadores das “classes inferiores” lutam pelo arroz e feijão e não cuidam que os seus filhos continuarão sem escolas, hospitais e morrendo de bala e vício.

É o Brasil, onde as “pessoas esclarecidas”, especialmente da classe média alta, ostentam o desamor pelo país e sonham com uma pátria estrangeira. Custa barato, cerca de 64 mil reais para parir em “Maiami”, com direito à cidadania norte-americana para o rebento, se permanecer mais quatro meses nos Estados Unidos.

As classes dominantes “apenas” desprezavam os pobres. Hoje, renegam o Brasil. E vão parir em “Maiami”. Pois, se escrevo Miami acham que quis dizer “maiami”. A palavra Miami (pronuncia-se mi-a-mi) é dos índios miccosukee e semínola e significa povo das colinas, cujo território Tio Sam roubou do México e hoje está cheio de parideiras ricas. Nossa colonização é “maiamesca”. Ou simiesca?

Júlio Chiavenato
Jornal A Cidade, Ribeirão Preto, 13/07/17 
chiavenato@jornalacidade.com.br

 

Nosso comentário: mais uma pérola preciosa de Chiavenato. Parabéns.

Alberto Maçorano