O Espiritismo não recomenda que as pessoas façam a regressão da memória, a não ser em casos patológicos raros, em que tal medida possa amenizar os seus sofrimentos. Quando reencarnamos, Deus, na Sua sabedoria e bondade infinitas, concede-nos o esquecimento das nossas vidas pretéritas, o que é, na realidade, uma verdadeira bênção. Este esquecimento é temporário, pois, dura apenas enquanto estamos, nós Espíritos, com a vestimenta da carne. Com a morte física, recobramos, de forma nítida, todo o conhecimento das nossas vidas passadas, de forma integral. 


Em O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, existe a pergunta 392: “Por que perde o Espírito encarnado a lembrança do seu passado?”. A resposta obtida dos Espíritos foi a seguinte:

“Não pode o homem, nem deve, saber tudo. Deus assim o quer em Sua sabedoria. Sem o véu que lhe oculta certas coisas, ficaria ofuscado, como quem, sem transição, saísse do escuro para o claro. Esquecido de seu passado, ele é mais senhor de si.”

As reencarnações na Terra, de uma forma geral, ocorrem para o grande reencontro de almas desajustadas, para tentarem a reconciliação, praticarem o perdão incondicional e o amor fraterno ilimitado. Este reencontro de almas ocorre exatamente onde vivemos, entre os vizinhos, nos ambientes de trabalho, nas escolas, nos clubes, nas agremiações que freqüentamos e, principalmente, nos lares.

Dentro dos lares, não raro vamos encontrar almas traídas, injuriadas, acumpliciadas com o mal, desgraçadas pelas tramas da violência, do ciúme, da inveja, que às vezes até já animaram, em vidas passadas, o sentimento destruidor do ódio, tentando, agora, no presente, de alguma forma, a convivência da paz e da harmonia, no exercício da tolerância mútua. São almas agora acobertadas pelo Templo Sagrado do Lar, com o grande manto do amor conjugal entre marido e mulher, do amor e carinho dos pais para com os filhos e destes para com os pais…

Se não houvesse o esquecimento temporário das faltas cometidas nas vidas passadas, como seria possível a reconciliação entre as criaturas dentro de um lar, por exemplo, em que as mesmas se reconhecessem, claramente, vítimas e algozes do passado, em que os sentimentos de ódio e de vingança, ainda vivos, ressurgiriam agigantados, induzindo à incidência de novos crimes? Às vezes, aqueles sentimentos de ódio e de vingança, revelam-se disfarçados, na presença aparentemente inexplicável das antipatias entre os membros familiares, companheiros de trabalho e vizinhos.

Tais antipatias devem ser trabalhadas e contornadas, para facilitar a neutralização dos sentimentos de ódio e de vingança, gerados em vidas pretéritas.

Muitas pessoas que desejam fazer a regressão da memória, são movidas exclusivamente pela curiosidade ou pelo orgulho, na ânsia de quererem descobrir, se no passado foram príncipes ou princesas, reis ou rainhas, ou personalidades históricas e influentes da sociedade. A maioria, no entanto, não está preparada para saber que podem ter sido mendigos, miseráveis, assassinos, suicidas, tiranos, torturadores, assaltantes, ladrões, seqüestradores e criaturas voltadas para o mal…

Não é preciso fazer a regressão da memória para descobrir algumas coisas do nosso passado. Basta observarmos cuidadosamente as nossas tendências, os nossos gostos e preferências atuais, que denunciam as virtudes(quase sempre pequeninas) e imperfeições múltiplas que vivenciamos outrora.

As atribulações pelas quais passamos na presente reencarnação, são exatamente as conseqüências daquilo que fizemos de errado em outra vidas e às vezes até mesmo na atual existência. É a colheita implacável daquilo que plantamos e nós próprios é que temos de fazer a colheita; ninguém poderá fazê-la por nós. Muito abusamos do nosso livre-arbítrio e é chegada a hora de reparar os males praticados.

Se hoje somos assaltados, tudo indica que é porque já fomos assaltantes; se perdemos um bom emprego, é possível que tenhamos sido os causadores do desemprego de alguém; se passamos por dificuldades financeiras, é porque não soubemos administrar corretamente as finanças em nosso poder; se passamos fome, é porque deixamos de saciar a fome de alguém; se lutamos contra uma doença crônica do fígado, por exemplo, é porque fomos alcoólatras e destruímos o fígado são, através de uma cirrose; se somos desprezados e vivemos na solidão, é porque desprezamos os nossos semelhantes e os isolamos na solidão; se hoje somos traídos, é porque ontem traímos alguém; se hoje uma “bala perdida” nos atinge, é porque outrora acionamos uma arma de fogo contra o nosso semelhante. E assim por diante.

Está tudo certo conosco, porque ninguém sofre sem merecer. É a lei de causa e efeito que se faz presente pata todos, sem exceção. Admitir a possibilidade de injustiça conosco, seria admitir que Deus, o Criador Supremo de todo o Universo, pudesse ser injusto, o que foge totalmente à lógica racional.

Nota: Na revista espírita REFORMADOR, da FEB – Federação Espírita Brasileira, de fevereiro de 1980, há um artigo de Hermínio C. Miranda, intitulado TERAPIA DO FUTURO, no qual a psicóloga norte-americana, Dra. Edith Fiore, relata um daqueles casos patológicos em que a regressão da memória pode ser feita, com o objetivo de aliviar o sofrimento das criaturas, e que vamos resumir.

Tratava-se de uma senhora muito gorda, que vivia deprimida há três anos, com doenças várias, vivendo à custa de tranqüilizantes e anti-depressivos. Sua maior preocupação era perder peso , o que não conseguia.

Condenava qualquer forma de violência e não se sentia bem à vista de sangue derramado. Sua maior ansiedade, porém, era o terror de chegar em casa e encontrar os filhos feridos ou molestados.

Chegava ao absurdo de pedir ao marido, quando regressavam à casa juntos, para ele entrar primeiro, a fim de verificar se estava tudo bem. Via-se, nos sonhos, constantemente apavorada, a subir relutantemente as escadas de uma casa antiga, mas não tinha coragem suficiente para abrir a porta do quarto. Atrás daquela porta havia algo que a deixava em pânico.

Numa vida anterior, vivia com a cunhada e três filhos desta. Numa determinada noite haveria uma festa numa casa vizinha e ela queria ir com a cunhada e os três filhos dela, mas a cunhada não foi nem deixou as crianças irem com ela.

Depois de se divertir muito na festa, ao regressar para casa, subiu as escadas e ao abrir a porta do quarto lá em cima(a famosa porta dos seus pesadelos), esta bateu na cabeça decepada da cunhada. Sangue e desordem por toda a parte. A cunhada e as crianças estavam decapitadas e esquartejadas. Fora o seu próprio irmão, que era desequilibrado e alcoólatra, o autor da tragédia.

A senhora ficou com a sensação de que não deveria ter ido à festa para impedir o acontecido e daí o sentimento de culpa que a atormentava e a deprimia até então, sem saber as causas.

Na presente reencarnação, aquele irmão atormentado era agora o pai da senhora gorda; esta, assumira a responsabilidade pelas crianças, que eram os seus filhos atuais; a antiga cunhada retornou como sua mãe.

Só então, depois de tudo esclarecido, é que a senhora gorda passou a perder peso e a se livrar das depressões.

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em 26/04/17, na Rede Espirit Book