A politicanalha anda tão safada que é repugnante comentá-la. A sem-vergonhice é sustentada com argumentos que contradizem os fatos – mas se acata, porque à hipocrisia se junta o cinismo. A soma, manipulada pela mídia, faz a população engolir a mentira. A alienação dá a cereja ao bolo recheado de merda – desculpem a crueza da expressão.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, nas defesas que faz subliminarmente dos denunciados pela Lava Jato, entre eles, Aécio Neves, diz que é preciso respeitar a vontade popular expressa nos votos. Se Aécio e outros corruptos foram eleitos pelo povo seria um desrespeito aos eleitores cassar seus mandatos.

Ele fala com a cara de quem acredita e dá lições de moralidade ao país. A imprensa divulga, sem acusar o sofisma rastaquera que age em conluio com a corrupção dominante e a dominação da política pelos donos do dinheiro.

Claro que não há desrespeito algum em colocar malandros na cadeia e tirar poder dos corruptos. O desrespeito ao voto, o desserviço à democracia e o prejuízo ao país é cometido por quem trai os eleitores, corrompe e se deixa corromper e usa os cargos públicos para conseguir privilégios assaltando o Estado.

Também Rocha Loures, o homem da mala indicado a Joesley por Temer, foi solto, alegando-se que ele estava estressado na sua cela. Se fosse assim, milhares de presos comuns, não apenas estressados, mas enlouquecidos pela criminosa promiscuidade dos presídios brasileiros, deveriam ser libertados. Comparando-se a situação dos presidiários o ex-deputado estava em aposentos reais. Enquanto isso, já se desconfia: todas as provas contra Temer serão invalidadas.

Júlio Chiavenato
Jornal A Cidade, Ribeirão Preto, 04/07/17 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: só o grande e eminente jornalista Chiavenato, para expressar por palavras, a grande indignação, o veemente repúdio, a afronta à massa popular, a canalhice política, a hipocrisia do poder público constituído, começando pela presidência da República e passando por todos os poderes constituídos, inclusive o SPF (Supremo Tribunal Federal); imagine-se, o órgão máximo da jurisprudência do Brasil, estar também infestado pela corrupção, pela malandragem, como esse senhor Gilmar Mendes que se diz Juiz e, cujos julgamentos e observações são uma afronta à miséria que se vive neste país, como aquela que o senhor Chiavenato acaba de relatar, mas que ele desconhece por completo. É uma autêntica chacota ao povo brasileiro. Não é só ele, não…

Este é o atual quadro negro da política e da administração deste mártir Brasil.

 Alberto Maçorano