Como diz o homem que passou a vida com medo de perder o que não tinha e repete a mulher “recatada e do lar”, temerosa que suas filhas “se percam” e enxerga no casamento a solução de todos os problemas, “a gente não pode viver acima das nossas posses”.

Quais posses? A posse dos preconceitos que limitam a vida medíocre, temperada com um churrasquinho no fim de semana e o sorriso amarelo dos filhos e netos, que disfarçam a repulsa por pais e avós puxando um fuminho aqui, cheirando um pozinho ali, “até que a morte nos separe”.

                Para esse pessoal, o governo interino veio “a preceito”. Livrou-se do medo do comunismo ateu, dos ladrões do dinheiro do povo e porá cada um no seu lugar. Ao mais dotados de grana esperam livrar-se do bando de mulatos nos aeroportos.

                O que lhes falta para o Brasil endireitar de vez? A resposta está em todos os jornais, aplaudida pelos economistas e donos do dinheiro: o plano do ministro Henrique Meireles, congelando os gastos públicos à inflação. Por 20 anos o governo só poderá gastar o dinheiro corrigido pela inflação. Não poderá aumentar a despesa, pois como pensa a gente de boa família, não podemos viver acima das nossas posses.

                Dessa forma decreta-se a retração para curar o retrocesso. O doutor Meireles e seus funcionários do Bradesco e do Itaú esquecem que o Brasil terá cada vez mais idosos e nascerá mais gente. Principalmente velhos pobres e bebês mais pobres ainda.

                A população cresce, faltam verbas para a Saúde, para a Educação, etc., que já estão deteriorados, mas o governo corta na área social.

                É a receita do usuário do século XIX.

Júlio Chiavenato
Ribeirão Preto, 17/06/16
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: senhor Chiavenato, você faz uma análise tão minuciosa e evidente da realidade política brasileira, que não mais precisa de complementações. Todavia, para dar-lhe mais visibilidade, faço questão de publicar no meu blog aquelas que mais sensibilizam o “consciente coletivo”. Fala-se muito, critica-se ainda mais, mas nada de concreto se faz. Trocar uma presidente que nada se provou até agora que tenha ligação com a corrupção, por um bando de corruptos, é desolador demais.

                A única solução plausível para tornar o Brasil de cara limpa e digna, é começar tudo do “zero”, ou seja, aposentar compulsoriamente toda a camarilha política e governamental do Brasil inteiro, substituindo-os por pessoas com fichas completamente limpas e sem os mínimos resquícios ou suspeitas de qualquer tipo de corrupção ou jogo sujo, e os salários e mordomias serem reduzidos todos, sem exceção, pela metade. Qualquer situação que venha a ser descoberta posteriormente é condição para imediata exoneração sem as frescuras vigentes. Enquanto isso não for feito, continuaremos a ser enganados, tapeados, tentando tapar o “sol com a peneira” e, pior ainda, acabando com a situação financeira do país e, por inerência, do comum cidadão brasileiro.

 

Alberto Maçorano

 

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