Negro não é cidadão pleno. Um ou outro, talvez. O povo negro, não. O trabalhador negro recebe, em média, 57,4% do salário do branco. A mulher negra, menos: apenas 30% da “raça” economicamente superior. Essa pressão salarial é a base do racismo, criado na escravidão, aceito pelo cristianismo e hoje disfarçado na “democracia racial”. Os dados do IBGE e do IPEA demonstram os alicerces dos nossos preconceitos, em uma sociedade estratificada em classes antagónicas, que utiliza a cor da pele para consolidar a exploração sobre os “de baixo”, enquanto os “de cima” abusam da retórica do estado de direito.

Lutar contra o racismo inclui superar as desigualdades sociais. Implica em transformar a realidade, o que só acontecerá com luta política acirrada. Não adianta discurso “filosófico” nem explicar aos racistas que todos os homens são iguais. Nem Deus, que, segundo dizem fez o homem à sua imagem, conseguiu. Justiça social não se conquista com “diálogo”.

Desculpem o cabotinismo de citar-me: escrevi um livro sobre a guerra contra o Paraguai que foi condenado pelos “patriotas” da ditadura. Muita gente acha que tive problemas.

Não. O livro que me deu problemas foi “O negro no Brasil” (1982 pela Brasilense, agora na Cortez), porque nele detalhei com provas irrefutáveis, o que está condensado aqui.

As classes dominantes não suportam a denúncia da hipocrisia e temem perder os privilégios herdados do escravismo. Achatando os salários, pretendem manter os negros “no seu lugar”. O primeiro passo contra o racismo é tomar consciência das bases económicas em que ele se assenta. 

Júlio Chiavenato
Ribeirão Preto, 20/11/2015
juliochiavenato@jornalacidade.com.br

 

Nosso comentário: o sublinhado é nosso. Caro Júlio: sou seu fã de carteirinha. A primeira coisa que eu vejo no jornal “A Cidade” é a sua crónica. Vc tem uma capacidade de síntese e objetividade impressionantes. Todavia, não concordo com a solução ou resolução que vc propõe. Em primeiro lugar não devemos envergonhar-nos de uma condição histórica entre raças diferentes no nosso passado. Ela existiu em outros povos, até entre a mesma raça durante milhares de anos. Uma condição dessa natureza não se extingue de uma hora para a outra, mas, com a evolução de consciências e educação.

Não obstante, só o conhecimento profundo da doutrina espírita dará uma melhor percepção dessa condição e sua fundamentação. Daí a importância do conhecimento dessa doutrina, que, no meu entendimento, deveria ser obrigatória nas instituições escolares, para se ter o verdadeiro conhecimento existencial e, com ele, os verdadeiros princípios éticos e morais. De outro modo, estamos assistindo passivamente e com conivência a uma vida mentirosa, fingida e hipócrita, que nos está levando para o caos social.

Alberto Maçorano 
www.olivrodosespiritos.com.br

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