Estamos tão afogados nas cifras da roubalheira que não avaliamos bem quantias que os corruptos furtam e o governo joga fora.

Por exemplo, o que representam dois bilhões e novecentos milhões de reais?

Essa importância apareceu nos jornais, ontem. É um complemento que o governo federal dá ao Rio de Janeiro, para ajudar na “segurança” durante as Olimpíadas. O total gasto no setor é bem maior, apesar de ser um socorro transitório: com o fim dos jogos tudo volta ao “normal”, as tropas se recolhem e a população continuará exposta à violência.

                O que se faz com R$ 2.9 bilhões? Para se ter uma ideia, essa quantia é maior do que o orçamento de Ribeirão Preto, previsto em R$ 2,8 bilhões neste ano. O rombo nas contas públicas municipais não chega a 200 milhões. Portanto, menos de 7% dessa verba equilibraria as finanças de Ribeirão Preto. Imaginem o que seria mandar ao menos R$ 30 milhões para cem cidades médias brasileiras.

                Com R$ 2,9 bilhões é possível um programa de incentivo ao esporte que favoreceria milhões de brasileiros com a criação de centros esportivos populares espalhados em municípios estratégicos e nas áreas socialmente carentes. Seria, inclusive, um meio de combate à criminalidade e de organização comunitária através do esporte.

                Mas estamos no Brasil. Com a maior despreocupação, como se fosse algo corriqueiro e sem consequências, o governo anuncia gastar R$ 2,9 bilhões para algo passageiro, aplicados em uma cidade dominada pelo tráfico, e ninguém percebe o que se poderia fazer pelo povo com, repetindo, estes R$ 2,9 bilhões.

Júlio Chiavenato 
Ribeirão Preto, 21/07/16 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: realmente, senhor Chiavenato, é muita grana para um retorno e um impacto social completamente vazios. É inconcebível jogar tanto dinheiro fora, quando a sociedade brasileira vive em estado caótico há uns bons anos a esta parte.

                É completamente utópico esbanjar tanta grana como se fôssemos um país rico (economicamente), quando os planos básicos de saúde, ensino e segurança, estão votados ao ostracismo, sem qualquer oportunidade de reversão.

É uma utopia dar-se ao trabalho de organizar um evento de repercussão mundial, quando o Brasil sequer fez a lição de casa… um país que se dá ao luxo da sua laicidade, quando não sabe incutir nas suas jovens gerações o foco da religiosidade. Gerações de jovens que vivem, em pleno sec. XXI, sem qualquer rumo, sem qualquer objetivo de vida, sem quaisquer responsabilidades.

Torna-se necessário, ou melhor, imperioso, as hierarquias representativas deste país criassem comissões de estudo para viabilizar o ensino religioso nas escolas e, em particular o ensino do espiritismo, como filosofia existencialista que nos transmite os fundamentos existenciais.

Enquanto isso não for feito, não sairemos deste redemoinho interminável de gato e rato, ou seja, marginalidade versus forças de segurança, com tendência progressiva constante para o caos, que já estamos vivendo há anos. Alguém duvida disso?

 

Alberto Maçorano