Os tempos são outros. É preciso cuidado ao falar. O patrulhamento dos chatos está vencendo. Não posso mais chamar meus queridos amigos do futebol de “neguinhos”. Nem mesmo quando, depois de um passe horroroso, adicionava “um grosso”, logo após. Hoje, poderia ser preso.

Também tive um amigo anão. Ops, quero dizer, amigo de “estatura vertical alternativa”. E nem por isso havia redução no companheirismo. Imagine então se, por descuido, tratar amigos gays como “ah, dá um abraço, sua bicha safada”! Por mais carinhosa que fosse a relação.

São os tempos onde impera a hipocrisia. Podemos até pensar de forma preconceituosa. Só não podemos dizê-lo. É uma espécie de preconceito do preconceito. E como pega mal parecer preconceituoso, disfarçamos com eufemismos ridículos.

Suponho que seja mais um reflexo da aculturação americana. Em inúmeras empresas como os parques da Disney, por exemplo, funcionários heterossexuais não podem ter relacionamento entre si. Dá justa causa, como se diz por aqui. Porém, se o casal formado for homossexual, ninguém fala nada. Sob pena de um processo gigantesco por descriminação.

Importamos esta maldição do cinismo. Inventamos novos rótulos para as mesmas antigas minorias. E ninguém percebe que, ao considerar as minorias, estabelecemos de pronto o preconceito e a discriminação. Ou todo o mundo tem direitos iguais ou não há direito nenhum. Só privilégios de poucos.

Bom exemplo é esta história de cotas para negros, para pardos, para índios, para seja lá do que for. Mas fica bonito para o governo. Olha, lá, como eles estão corrigindo um erro histórico! – dirão alguns.

 Hamilton de Andrade Lemos
Ribeirão Preto, 20/11/2015 

hamiltondeandradelemos@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: não poderia deixar passar em branco a oportunidade de fazer uma leitura desta crónica do Hamilton. Excelentemente bem colocado o seu posicionamento em relação à regulamentação governamental deste polémico assunto. Infelizmente, sabemos que o preconceito e a discriminação existem disfarçados, numa sociedade que se diz não discriminatória e preconceituosa. Ao serem criadas essas reservas de quotas para quem quer que seja, estão criando mecanismos para que seja preservado esse “status quo”. Por favor, senhores políticos, não queiram ser mais “papistas” do que o “Papa” (sumo pontífice), querendo anular através de leis, uma condição histórica, que existiu não só entre raças diferentes, mas também na mesma raça, durante milhares de anos, situação essa que só será extinta com a evolução de consciências e educação.

Todavia, a abrangência desta condição social será mais bem esclarecida pela doutrina espírita, que todos deviam conhecer em profundidade.

Mais informações no n/ site: www.olivrodosespiritos.com.br

Alberto Maçorano