O mês de agosto mais uma vez confirma a tradição de promover drásticas mudanças políticas no País

Longe de ser marcado pela tragédia, porém, o último dia de agosto de 2016 trouxe a chancela otimista de um promissor recomeço, depois do duro e longo teste a que foram submetidas as nossas instituições.

                Nossa democracia, resgatada desde os anos 1980, passou bem pela prova: amadureceu. Dilma Rousseff, a presidente agora definitivamente afastada do cargo, teve direito à ampla defesa. Sofreu o impeachment. Tudo isso democraticamente decidido pelo Senado, com o respaldo do Judiciário, sem qualquer ato autoritário.

                Por outro lado, empossado Michel Temer, que detém governabilidade e capilaridade política. O País, agora, pode começar a torcer pela recuperação da economia e pela geração de empregos, só para citar duas pautas urgentes que estavam sem qualquer perspectiva no agonizante e desgastado governo Dilma.

                Trata-se, portanto, do final do impasse, que, superado, pode significar luz no fim do túnel.

                Não há mais desculpas para postergações. A aparentemente interminável crise institucional e política acabou.

                Agora é cobrar e fiscalizar esta nova etapa de um novo governo que tem o dever de trabalhar muito para colocar o País de pé.

                Vamos em frente. A região tem pressa.

Editorial do jornal “A Cidade”  
Ribeirão Preto, 01/09/16

 

Nosso comentário: fico abismado como se pode tirar uma conclusão tão leviana e inconsequente de um fato tão sério e dramático que ocorreu no Brasil nestes quase dois anos de mandato da presidente Dilma Rousseff. Como se pode denominar “a chancela otimista de um promissor recomeço” encabeçada por um bando de corruptos, indiciados, inclusive, pela Lava Jato, mas que essa tal de Lava Jato só funciona para o PT, Lula e Dilma?  É a isso que chamam de democracia? Como se pode considerar que a democracia amadureceu, se a maioria dos seus interlocutores estão envolvidos na maior corrupção já ocorrida no Brasil? Então, significa a chancela “democrática” da corrupção para uns tantos figurões, mas para o PT, Lula e Dilma existe a Lava Jato. É isso que se denomina democracia? Talvez eu esteja com as ideias deturpadas. A partir de agora vou-me aprofundar mais sobre o que significa ética, dignidade e respeito.

Concordo quando dizem que “tudo isso democraticamente decidido pelo Senado, com o respaldo do Judiciário, sem qualquer ato autoritário”. Na verdade, o complot foi completo, pois, todos esses órgãos que deviam ser constituídos por indivíduos da maior estirpe ética e moral, estão quase todos enterrados no maior lamaçal de ladroagem e corrupção de uma empresa brasileira.

Como se pode ousar que a democracia funcionou exemplarmente? Como se pode, sequer, usar o termo democracia, por um bando de “sem vergonha”, vivendo na maior mordomia, sem se interessarem minimamente pelo sofrido povo brasileiro? Só os salários e mordomias que usufruem, podem ser considerados um autêntico assalto aos cofres públicos, pois é uma incoerência gritante, num país em que a maioria luta pela sobrevivência, possam existir grupos de elite, nadando em braçadas de mordomias de toda a espécie, desde moradias, carros e viagens de avião, etc., etc., nem em países ricos e de primeiro mundo, usufruem de tantas benesses. É uma vergonha e um autêntico atentado à miséria do povo brasileiro.

                Como se pode falar no “agonizante e desgastado governo Dilma” se ele sequer chegou a governar, pela obstrução total da oposição, comandada pelo ocioso e sem vergonha Aécio Neves?

                Como se pode sonhar tão alto dizendo que o governo tem o dever de colocar o país de pé. Por acaso alguma vez o país esteve de pé desde a sua existência?

Como se pode ser tão hipócrita ao ponto de dizer que a crise institucional e política acabou? Quem é esse senhor Temer, atolado na corrupção, que moral tem ele para acabar com a crise? Só se tiver uma “varinha mágica” que não parece deter.

Boa peça não deve ser. Por alguma razão espúria colocou um património de dois milhões de reais em nome do dei filhinho “Michelzinho” de sete anos. Será que apenas com o seu salário conseguiu construir um património tão valioso, além de outros imóveis em nome dos outros filhos?

Me desculpem, mas esse editorial não tem o mínimo fundamento de seriedade, ética e dignidade, concluindo-se que também compactua com a bandalheira política e governamental em que navega esta grande nau que se chama Brasil, e com a grande farsa que se desenvolveu, denominada de impeachment, culminando com a destituição de uma pessoa da mais elevada seriedade, por um bando de delinquentes e corruptos que infestam as instituições do poder no Brasil. É simplesmente aterrador…

 Alberto Maçorano